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Onde fica Listra na Bíblia e qual foi sua importância nas viagens de Paulo

Onde fica Listra na Bíblia: conheça a localização da cidade, suas menções em Atos e o papel de Paulo, Barnabé e Timóteo.

Por Stéfano Barcellos, Formado em Direito | | 10 min de leitura
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Onde fica Listra na Bíblia? Listra ficava na região centro-sul da atual Turquia, na antiga província romana da Galácia, perto de Icônio e Derbe. O Novo Testamento a apresenta principalmente nas viagens missionárias de Paulo e Barnabé, em Atos 14, e como cidade ligada à origem de Timóteo, em Atos 16.

Listra: localização geográfica e política

Na época do Novo Testamento, Listra era uma cidade da Licaônia, território da Ásia Menor. Administrativamente, ela fazia parte da província romana da Galácia desde a reorganização do território feita por Roma. Por isso, embora o texto de Atos possa chamar seus habitantes de licaônios, a cidade também aparece no horizonte mais amplo da Galácia romana.

Hoje, a localização geralmente aceita de Listra está nas proximidades da moderna vila de Hatunsaray, cerca de 30 quilômetros ao sul-sudoeste de Konya, cidade que corresponde à antiga Icônio. A identificação é sustentada por evidências epigráficas e arqueológicas encontradas na área. Assim, a resposta geográfica mais direta é: Listra ficava no planalto central da Anatólia, na Turquia atual.

O nome grego da cidade é Lystra. Ela ficava em uma rota regional que ligava Icônio a Derbe e a outros centros da parte sul da Galácia. Não era uma das maiores cidades do Império Romano, mas sua posição ajudava a conectá-la a redes locais de deslocamento, comércio e administração.

“E, em Listra, costumava estar sentado um homem aleijado dos pés, coxo de nascença, o qual jamais pudera andar” (Atos 14).

Essa cena mostra que Listra não é citada apenas como ponto no mapa. Ela se tornou palco de um episódio decisivo para a narrativa de Atos e para a continuidade da missão de Paulo entre populações não judaicas.

O que o texto bíblico registra sobre Listra

O Novo Testamento menciona Listra diretamente em Atos 14, Atos 16, Atos 18, 2 Timóteo 3 e, de modo indireto, no conjunto das cidades da Galácia. O relato mais extenso está em Atos 14, durante a primeira viagem de Paulo e Barnabé.

Segundo Atos 14, Paulo e Barnabé chegaram a Listra depois de enfrentarem oposição em Icônio. Na cidade, Paulo falou a um homem que não podia andar desde o nascimento. Ao perceber a fé daquele homem, ordenou-lhe que se levantasse, e ele passou a caminhar (Atos 14).

A reação da multidão foi incomum: os habitantes disseram, em língua licaônica, que os deuses haviam descido em forma humana. Barnabé foi chamado de Zeus, e Paulo, de Hermes, pois era quem fazia a maior parte dos discursos (Atos 14). Um sacerdote de Zeus levou touros e coroas às portas da cidade para oferecer sacrifícios junto com a multidão.

Paulo e Barnabé rejeitaram a identificação com deuses. Rasgaram as próprias vestes, gesto público de protesto e lamento no contexto judaico, e declararam que eram seres humanos. O discurso registrado em Atos 14 chama os ouvintes a abandonarem “coisas vãs” e a se voltarem ao Deus vivo, criador do céu, da terra, do mar e de tudo o que neles há.

Depois disso, judeus vindos de Antioquia da Pisídia e de Icônio persuadiram a multidão contra Paulo. O texto afirma que ele foi apedrejado e arrastado para fora da cidade, considerado morto. Contudo, quando os discípulos se reuniram ao seu redor, Paulo se levantou e voltou à cidade; no dia seguinte, ele e Barnabé partiram para Derbe (Atos 14).

As principais passagens sobre Listra

As referências bíblicas permitem acompanhar a cidade em diferentes momentos da narrativa de Atos. A tabela abaixo reúne os textos mais relevantes e o que cada um informa de maneira explícita.

PassagemMomento narrativoPersonagens citadosO que o texto registra
Atos 14, 6-20Primeira viagem de Paulo e BarnabéPaulo, Barnabé, homem curado, multidão, sacerdote de ZeusCura de um homem coxo, tentativa de sacrifício a Paulo e Barnabé e apedrejamento de Paulo.
Atos 14, 21-23Retorno pela regiãoPaulo, Barnabé, discípulosOs dois retornam a Listra, fortalecem os discípulos e designam presbíteros nas igrejas.
Atos 16, 1-3Início da segunda viagem de PauloPaulo, Timóteo, mãe judaica, pai gregoPaulo chega a Derbe e Listra e encontra Timóteo, bem recomendado pelos irmãos locais.
Atos 18, 23Nova passagem pela GaláciaPauloPaulo percorre a região da Galácia e da Frígia, fortalecendo os discípulos; Listra não é nomeada no versículo.
2 Timóteo 3, 10-11Memória das perseguições de PauloPaulo, TimóteoPaulo menciona perseguições em Antioquia, Icônio e Listra, das quais afirma ter sido livrado.

Paulo, Barnabé e a primeira comunidade de Listra

Atos 14 não descreve uma sinagoga em Listra, diferentemente do que ocorre em outras cidades visitadas por Paulo. O texto não diz que não havia sinagoga; simplesmente não a menciona. Essa ausência levou alguns estudiosos a considerar a possibilidade de uma presença judaica menor ou de uma atuação inicialmente concentrada em espaços públicos e diante de população predominantemente gentílica. Trata-se, porém, de uma inferência histórica, não de uma informação declarada pelo texto.

O discurso de Paulo em Atos 14 também se diferencia de discursos dirigidos a ouvintes judeus ou familiarizados com as Escrituras de Israel. Em Listra, ele parte da criação, das chuvas, das colheitas e do sustento da vida. Esse modo de argumentar é frequentemente entendido como adequado a um público ligado a cultos locais e à religião greco-romana.

O episódio revela uma mudança brusca na reação popular. Primeiro, Paulo e Barnabé foram tratados como divindades; pouco depois, Paulo foi apedrejado. O texto atribui a virada à influência de opositores chegados de Antioquia da Pisídia e Icônio. Não informa exatamente como eles convenceram a população nem quantas pessoas aderiram à acusação.

Apesar da violência, Atos afirma que Paulo e Barnabé voltaram a Listra após a visita a Derbe. Ali fortaleceram os discípulos, exortando-os à perseverança, e designaram presbíteros nas igrejas, com oração e jejum (Atos 14). Isso indica que havia uma comunidade local formada ou consolidada durante essa etapa da missão.

Timóteo era de Listra?

A associação de Timóteo com Listra é forte, mas merece precisão. Atos 16 afirma que Paulo chegou “a Derbe e a Listra” e encontrou ali um discípulo chamado Timóteo, filho de mãe judaica cristã e pai grego. O texto acrescenta que Timóteo tinha bom testemunho “dos irmãos em Listra e Icônio” (Atos 16).

Em Atos 20, Timóteo é chamado de “asiático” no sentido amplo da lista de companheiros de Paulo? Não. O versículo apenas o inclui entre os que acompanhavam Paulo, sem indicar sua cidade. Já 2 Timóteo 1 menciona a fé de sua avó Lóide e de sua mãe Eunice, mas não declara onde elas viviam. Portanto, a fonte bíblica não traz uma frase literal como “Timóteo nasceu em Listra”.

A tradição interpretativa majoritária identifica Timóteo como natural de Listra, porque Atos 16 o introduz logo após a chegada de Paulo a essa cidade e porque sua boa reputação é ligada aos irmãos de Listra e Icônio. Outra leitura, mais cautelosa, observa que a redação menciona Derbe e Listra juntas e não determina de forma inequívoca em qual delas Timóteo residia ou nasceu.

Assim, é correto dizer que Timóteo estava ligado à comunidade de Listra e provavelmente era dessa cidade. Mas sua cidade natal exata não é informada de maneira explícita pela Bíblia. A diferença entre “ligado a Listra” e “nascido em Listra” é importante para não transformar uma conclusão provável em dado textual indiscutível.

Listra, Licaônia e Galácia: por que aparecem nomes diferentes?

Os nomes geográficos usados no Novo Testamento refletem camadas diferentes de organização territorial. Licaônia designava uma região cultural e histórica da parte central da Anatólia. Galácia, por sua vez, podia designar tanto uma área étnico-geográfica mais ao norte quanto a província romana mais ampla, que incluía territórios do sul, como cidades relacionadas às viagens de Paulo.

Em Atos 14, os habitantes de Listra falam “em língua licaônica”, o que vincula a cidade à identidade regional da Licaônia. Em Gálatas, Paulo escreve às “igrejas da Galácia”, mas a carta não lista as cidades destinatárias. Por isso, existe debate acadêmico sobre se as comunidades de Listra, Derbe, Icônio e Antioquia da Pisídia estavam entre as destinatárias da Carta aos Gálatas.

As duas leituras mais conhecidas sobre os destinatários de Gálatas

  • Teoria da Galácia do Sul: entende que Paulo escreveu a igrejas do sul da província romana da Galácia, possivelmente incluindo Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe. Essa leitura se relaciona diretamente aos itinerários de Atos 13 e 14.
  • Teoria da Galácia do Norte: entende que os destinatários viviam na região étnica da Galácia, mais ao norte, evangelizada em momento não detalhado por Atos.

A Bíblia não resolve a discussão de modo explícito. Portanto, não é possível afirmar com certeza que a Carta aos Gálatas foi enviada à igreja de Listra. A ligação é defendida por uma tradição interpretativa importante, mas permanece debatida.

O que se sabe fora da Bíblia

Fontes arqueológicas e históricas ajudam a situar Listra, mas não completam todos os detalhes do relato de Atos. A cidade recebeu status de colônia romana no período imperial, provavelmente no reinado de Augusto. Como colônia, ela tinha relação especial com Roma e podia abrigar veteranos, instituições romanas e práticas públicas vinculadas ao poder imperial.

Isso não significa que toda a população fosse romana nem que a vida religiosa local se reduzisse ao culto imperial. A cena de Atos 14, com o sacerdote de Zeus e o uso da língua licaônica, aponta para uma paisagem cultural diversa: tradições locais, religião greco-romana e influência administrativa romana conviviam na cidade e em seus arredores.

Há também uma tradição antiga, posterior ao Novo Testamento, que associa a região de Listra a figuras cristãs lembradas em escritos apócrifos, especialmente Tecla. Esses relatos não fazem parte do cânon bíblico e não podem ser usados como comprovação de fatos narrados em Atos. Eles são relevantes como testemunho da memória e da devoção de comunidades cristãs posteriores, não como fonte equivalente ao texto bíblico.

Da mesma forma, não há no Novo Testamento uma descrição arquitetônica de Listra, uma população calculada ou um mapa de suas ruas. Dados modernos sobre o sítio arqueológico dependem de pesquisas, inscrições e identificações geográficas, que podem ser refinadas à medida que novos estudos são publicados.

Perguntas frequentes

Onde fica Listra atualmente?

A antiga Listra é geralmente localizada perto de Hatunsaray, ao sul de Konya, na região central da Turquia. Essa identificação é a mais aceita em estudos históricos e arqueológicos.

Qual apóstolo foi apedrejado em Listra?

Segundo Atos 14, Paulo foi apedrejado em Listra após opositores vindos de Antioquia da Pisídia e Icônio influenciarem a multidão. Barnabé estava com ele na cidade, mas o texto atribui o apedrejamento especificamente a Paulo.

Por que Paulo foi chamado de Hermes em Listra?

Atos 14 informa que a multidão chamou Paulo de Hermes porque ele era o principal porta-voz. Barnabé foi chamado de Zeus. O texto não explica todos os detalhes da associação, apenas registra a interpretação dos habitantes.

Listra aparece no Antigo Testamento?

Não. Listra aparece no Novo Testamento, especialmente no livro de Atos. Ela é mencionada no contexto das viagens de Paulo e do início das comunidades cristãs na Ásia Menor.

Resumo

  • Listra ficava na Licaônia, dentro da província romana da Galácia, na área central da atual Turquia.
  • A cidade é conhecida sobretudo pelo relato de Atos 14, envolvendo Paulo, Barnabé, uma cura e o apedrejamento de Paulo.
  • Atos 14 registra a formação de discípulos em Listra e a posterior visita de Paulo e Barnabé para fortalecê-los.
  • Timóteo é fortemente associado a Listra em Atos 16, embora a Bíblia não declare de forma literal sua cidade natal.
  • A inclusão de Listra entre as destinatárias da Carta aos Gálatas é uma interpretação debatida, não uma certeza afirmada pelo texto bíblico.
  • O sítio da antiga Listra é geralmente identificado perto de Hatunsaray, nas proximidades de Konya, na Turquia.

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