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Onde ficava Pérgamo, a cidade citada no Apocalipse?

Onde fica Pérgamo na Bíblia? Conheça sua localização na atual Turquia, sua história e o sentido da mensagem de Apocalipse 2.

Por Stéfano Barcellos, Formado em Direito | | 10 min de leitura
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Onde fica Pérgamo na Bíblia? Pérgamo ficava na província romana da Ásia, no oeste da atual Turquia, perto da cidade moderna de Bergama. No Novo Testamento, ela é conhecida sobretudo por receber uma das sete mensagens de Apocalipse 2, 12-17.

Pérgamo: localização antiga e posição atual

A antiga Pérgamo estava situada na região histórica da Mísia, na porção noroeste da Ásia Menor. Essa área integrava a província romana chamada Ásia no tempo do Novo Testamento; ela não corresponde ao continente asiático em seu uso moderno. Hoje, o sítio arqueológico de Pérgamo está nas proximidades de Bergama, no estado turco de Esmirna, no oeste da Turquia.

A cidade foi construída ao redor de uma colina elevada, a acrópole, que oferecia posição defensiva e ampla visibilidade da planície do rio Caico. A acrópole antiga fica a alguns quilômetros do centro urbano atual de Bergama. Sua localização entre rotas terrestres do interior da Anatólia e os caminhos que levavam ao litoral do mar Egeu favoreceu sua importância política, comercial e cultural.

Quando o livro de Apocalipse foi dirigido às igrejas da Ásia, Pérgamo era uma cidade conhecida. Ela aparece na sequência das sete comunidades mencionadas em Apocalipse 1, 11: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia. Essas cidades se encontravam numa rota plausível de circulação de mensagens pelo oeste da província romana da Ásia.

O que a Bíblia diz sobre Pérgamo

O nome da cidade aparece no Apocalipse. Em algumas traduções portuguesas, lê-se “Pérgamo”; em outras, “Pérgamo” ou “Pérgamo, onde está o trono de Satanás”, conforme a escolha editorial para Apocalipse 2, 13. O texto bíblico não apresenta uma narrativa sobre a fundação da cidade nem descreve detalhadamente seus edifícios. Sua principal referência é a mensagem à igreja local.

Em Apocalipse 2, 12-17, o autor transmite uma palavra à comunidade de Pérgamo atribuída a Jesus, identificado como aquele que “tem a espada afiada de dois gumes”. A mensagem reconhece que os cristãos viviam em um ambiente hostil e menciona Antipas como “minha fiel testemunha”, morto ali. Depois, reprova pessoas associadas ao “ensino de Balaão” e aos “nicolaítas”, chamando a comunidade ao arrependimento.

“Sei onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e que conservas o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita.” (Apocalipse 2, 13)

É importante distinguir os níveis de informação. O texto bíblico registra a existência de uma igreja em Pérgamo, o louvor por sua fidelidade em circunstâncias difíceis, a morte de Antipas e críticas a determinados ensinamentos dentro da comunidade. O texto não explica quem foi Antipas além dessa breve caracterização, não narra seu martírio e não identifica com precisão histórica o que significava “trono de Satanás”. Esses detalhes foram objeto de interpretações posteriores.

Por que Pérgamo era uma cidade importante?

Pérgamo já tinha grande relevância antes da dominação romana. Após a morte de Alexandre, o Grande, em 323 a.C., a cidade tornou-se o centro do reino dos atálidas. Essa dinastia governou a região aproximadamente entre 281 e 133 a.C. e transformou Pérgamo numa capital helenística de destaque.

O último rei atálida, Átalo III, deixou seu reino aos romanos em 133 a.C., segundo as fontes históricas antigas. A partir de então, Pérgamo passou para a esfera de Roma e manteve prestígio regional. Embora Éfeso fosse o principal porto e, em muitos períodos, o principal centro administrativo da província da Ásia, Pérgamo conservou instituições, templos, produção cultural e influência cívica consideráveis.

A cidade também se tornou célebre por sua biblioteca. Escritores antigos atribuem a Pérgamo uma biblioteca muito grande, por vezes calculada em 200 mil rolos. Esse número é tradicional e não pode ser confirmado com segurança pela arqueologia moderna. A associação etimológica popular entre Pérgamo e “pergaminho” é frequentemente repetida, mas a origem e o desenvolvimento do uso do pergaminho são mais complexos do que essa explicação sugere. Portanto, não é correto afirmar como fato comprovado que o material foi inventado ali por causa de uma suposta proibição egípcia de exportar papiro.

Religião cívica, culto imperial e a expressão “trono de Satanás”

Para entender a linguagem de Apocalipse 2, é necessário observar o ambiente religioso da cidade. Pérgamo possuía santuários dedicados a divindades gregas e romanas, entre elas Atena, Dioniso, Zeus e Asclépio. Também foi uma cidade importante para o culto imperial, isto é, para as honras religiosas prestadas ao imperador e à autoridade de Roma.

O culto imperial não era uma realidade uniforme em todo o império, mas ocupava papel público relevante em várias cidades da Ásia Menor. Pérgamo abrigou um dos primeiros templos provinciais ligados ao culto de Roma e Augusto, datado de 29 a.C. Mais tarde, recebeu outras autorizações para templos imperiais. Esses dados ajudam a explicar por que a cidade poderia representar intensa pressão social e política sobre grupos que recusavam práticas religiosas públicas incompatíveis com suas convicções.

Contudo, a frase “onde está o trono de Satanás” não recebe uma explicação direta no Apocalipse. Há leituras tradicionais diferentes:

  • Culto imperial: muitos intérpretes relacionam a frase à importância de Pérgamo como centro de veneração imperial. Nessa leitura, o “trono” é uma imagem para a oposição entre o senhorio de Roma, expresso em práticas religiosas e políticas, e a fidelidade devida a Cristo.
  • Altar de Zeus: outra interpretação associa a expressão ao grande altar de Zeus, erguido na acrópole e visualmente marcante. A hipótese é conhecida, mas não é demonstrada pelo texto bíblico, que não cita Zeus nem seu altar.
  • Conjunto de cultos da cidade: alguns estudiosos entendem a linguagem como referência mais ampla ao sistema religioso e social pagão de Pérgamo, sem apontar um edifício específico.
  • Perseguição e morte de Antipas: há quem enfatize o assassinato de Antipas e veja o “trono” sobretudo como imagem do poder hostil que atuava contra a comunidade.

As leituras convergem ao reconhecer que Apocalipse descreve Pérgamo como lugar de forte conflito religioso. Elas divergem quanto ao referente histórico exato da metáfora. Como o autor não a detalha, não há consenso definitivo sobre um monumento ou instituição específicos.

Dados históricos e passagens sobre Pérgamo

AspectoDado principalBase bíblica ou histórica
LocalizaçãoOeste da atual Turquia, perto de BergamaIdentificação arqueológica da antiga Pérgamo
Região no Novo TestamentoProvíncia romana da ÁsiaApocalipse 1, 11
Passagem principalMensagem à igreja de PérgamoApocalipse 2, 12-17
Personagem citadoAntipas, chamado de fiel testemunhaApocalipse 2, 13
Período de maior poder políticoReino atálida, aproximadamente 281-133 a.C.História helenística
Vínculo romano relevanteCentro importante de culto imperial; templo de Roma e Augusto em 29 a.C.Inscrições e fontes históricas antigas

A tabela mostra por que uma resposta geográfica não basta. Saber onde Pérgamo ficava ajuda a situar a carta do Apocalipse, mas sua importância bíblica está ligada também ao contexto urbano romano, às práticas religiosas locais e às tensões enfrentadas pela comunidade mencionada.

Antipas, Balaão e os nicolaítas: o que pode ser afirmado

Antipas é citado apenas em Apocalipse 2, 13. O versículo o chama de “fiel testemunha” e afirma que ele foi morto em Pérgamo. Não existem, no Novo Testamento, outras informações sobre sua família, função na igreja, data de morte ou forma de execução. Tradições cristãs posteriores ampliaram sua história e o apresentaram, em alguns relatos, como bispo e mártir morto de forma cruel. Essas tradições têm valor para a história da recepção religiosa, mas não equivalem a informação fornecida pelo texto bíblico nem são confirmadas de modo independente.

A mensagem também menciona pessoas que sustentavam o “ensino de Balaão” (Apocalipse 2, 14). A referência remete à narrativa de Números 22-25 e, especialmente, ao episódio em que Israel é levado à idolatria e à imoralidade em Baal-Peor. Apocalipse 2, 14 resume essa tradição ao dizer que Balaão ensinou Balaque a pôr tropeço diante dos israelitas, levando-os a comer coisas sacrificadas a ídolos e a praticar imoralidade.

Os nicolaítas aparecem em Apocalipse 2, 6 e 2, 15. O texto afirma que seu ensino era rejeitado, mas não descreve com precisão suas crenças, sua origem ou seus líderes. Alguns intérpretes entendem que o grupo defendia acomodação às refeições idolátricas e à moralidade sexual permissiva; outros consideram que o texto apenas aproxima, sem identificar totalmente, os nicolaítas dos seguidores do “ensino de Balaão”. A identidade histórica do grupo é disputada.

Assim, uma leitura responsável precisa manter a diferença entre o que está escrito e as hipóteses. O Apocalipse condena práticas ou ensinos considerados incompatíveis com a fidelidade da comunidade. Porém, não oferece elementos suficientes para reconstruir em detalhes uma organização chamada “nicolaítas”.

Pérgamo nas rotas das sete igrejas

As sete cidades de Apocalipse 1-3 formavam uma rede urbana no oeste da Ásia Menor. A ordem apresentada em Apocalipse 1, 11 costuma ser explicada como um percurso que começa em Éfeso, segue para o norte até Esmirna e Pérgamo, depois se dirige ao sudeste por Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia. Não se trata das únicas comunidades cristãs existentes na região, mas das destinatárias escolhidas para esse conjunto literário.

Pérgamo ficava aproximadamente a 100 quilômetros, em linha reta, ao norte de Esmirna, a atual İzmir. As distâncias por estradas antigas seriam maiores e variavam segundo o trajeto. A cidade não era uma comunidade isolada: participava de um cenário de comunicação, comércio, administração romana e diversidade religiosa.

Esse dado ajuda a evitar dois extremos. De um lado, seria inadequado tratar Pérgamo como se fosse apenas uma figura simbólica sem localização real. De outro, também seria limitado reduzir a mensagem de Apocalipse a um comentário turístico sobre ruínas. O livro se dirige a comunidades concretas, mas usa linguagem simbólica e profética, cuja interpretação vai além da geografia.

Perguntas frequentes

Pérgamo ainda existe?

A cidade antiga não continua habitada como uma cidade moderna com o mesmo formato, mas seu sítio arqueológico existe e é visitado. A cidade atual de Bergama, na Turquia, desenvolveu-se nas proximidades da antiga Pérgamo.

Onde Pérgamo aparece na Bíblia?

Pérgamo aparece em Apocalipse 1, 11, na lista das sete igrejas, e em Apocalipse 2, 12-17, na mensagem dirigida à sua igreja. Não há referência explícita à cidade em outros livros bíblicos.

O que era o “trono de Satanás” em Pérgamo?

Apocalipse 2, 13 usa a expressão, mas não a explica. As interpretações mais comuns a ligam ao culto imperial, ao altar de Zeus, ao ambiente religioso da cidade ou à perseguição sofrida pelos cristãos. Nenhuma identificação específica é unanimemente comprovada.

Antipas foi realmente morto em Pérgamo?

Segundo Apocalipse 2, 13, Antipas foi morto em Pérgamo e é chamado de fiel testemunha. O texto, porém, não informa quando ou como ocorreu sua morte. As narrativas detalhadas surgem em tradições posteriores.

Resumo

  • Pérgamo ficava na Ásia Menor, no oeste da atual Turquia, perto da moderna Bergama.
  • No Novo Testamento, a cidade é citada em Apocalipse 1, 11 e recebe uma mensagem em Apocalipse 2, 12-17.
  • Era um importante centro helenístico e romano, marcado por instituições cívicas, santuários e culto imperial.
  • Apocalipse registra a morte de Antipas, mas não fornece detalhes biográficos ou sobre seu martírio.
  • A expressão “trono de Satanás” é interpretada de maneiras diferentes; o texto não permite uma identificação histórica definitiva.
  • Pérgamo integra o conjunto das sete igrejas da Ásia, comunidades reais que recebem mensagens em linguagem simbólica e profética.

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