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Quais são as mulheres que seguiram Jesus e o que os Evangelhos dizem

Saiba quais são as mulheres que seguiram Jesus, o que os Evangelhos registram sobre elas e onde as tradições posteriores divergem.

Por Stéfano Barcellos, Formado em Direito | | 12 min de leitura
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Quais são as mulheres que seguiram Jesus? Os Evangelhos citam nominalmente Maria Madalena, Joana, Susana, Maria mãe de Tiago, Salomé e outras mulheres que o acompanhavam, sustentavam seu ministério ou estavam presentes em momentos decisivos. As listas, porém, não são idênticas, e nem todos os nomes podem ser identificados com segurança entre os quatro relatos.

O que os Evangelhos afirmam diretamente

A passagem mais explícita sobre mulheres que acompanhavam Jesus é Lucas 8. Logo depois de descrever a pregação de Jesus por cidades e povoados, o evangelista declara que os Doze iam com ele e acrescenta que também o acompanhavam algumas mulheres curadas de espíritos malignos e enfermidades. Segundo Lucas, elas ajudavam Jesus e os discípulos com seus recursos.

“Os Doze estavam com ele, e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes; Susana e muitas outras, as quais o serviam com os seus bens.” (Lucas 8)

Esse texto fornece três informações importantes. Primeiro, havia mulheres no grupo mais amplo que acompanhava Jesus em suas viagens. Segundo, o evangelista relaciona a presença delas a experiências de cura. Terceiro, descreve uma contribuição material concreta para a missão itinerante. O texto não diz que elas integravam o grupo dos Doze, nem atribui a elas esse título. Os Doze são apresentados separadamente.

Os demais Evangelhos reforçam que mulheres seguiam Jesus, sobretudo no contexto da crucificação, do sepultamento e da descoberta do túmulo vazio. Marcos 15 afirma que várias mulheres observavam de longe e que elas tinham seguido Jesus desde a Galileia para o servir. Mateus 27 traz formulação semelhante. João 19 menciona mulheres junto à cruz, mas organiza sua lista de modo diferente. Por isso, é possível afirmar com segurança que mulheres fizeram parte do círculo de seguidores de Jesus; já uma lista única, completa e sem dúvidas não é oferecida pelo Novo Testamento.

As mulheres nomeadas nas narrativas

Maria Madalena é a figura feminina mais recorrente nos relatos evangélicos. Lucas 8 informa que ela fora liberta de sete demônios, sem detalhar a natureza dessa condição. Ela aparece também junto à cruz, no sepultamento e nas narrativas da manhã de Páscoa em Mateus 27–28, Marcos 15–16, Lucas 24 e João 19–20. Em João 20, Maria Madalena encontra o Jesus ressuscitado e recebe a instrução de anunciar aos discípulos que ele está vivo.

Joana aparece em Lucas 8 como esposa de Cuza, administrador ou procurador de Herodes. Ela volta a ser nomeada em Lucas 24 entre as mulheres que levaram aos apóstolos a notícia do túmulo vazio. Fora dessas referências, o Novo Testamento não fornece dados biográficos adicionais sobre ela. Não se pode demonstrar, apenas pelo texto bíblico, sua idade, local de nascimento ou o desfecho de sua vida.

Susana é citada somente em Lucas 8. O evangelista a inclui ao lado de Maria Madalena e Joana entre as mulheres que serviam ao grupo com seus bens. Nada mais é dito sobre ela nos textos canônicos. Assim, qualquer reconstrução detalhada de sua história ultrapassa a informação disponível nas Escrituras.

Maria, mãe de Tiago e José, surge nos relatos da paixão. Mateus 27 a chama de “Maria, mãe de Tiago e de José”; Marcos 15 fala de “Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José”. Ela está entre as mulheres que viram a crucificação, acompanharam o sepultamento e foram ao túmulo, conforme as variações próprias de cada Evangelho. Muitos estudiosos consideram provável que Mateus e Marcos se refiram à mesma pessoa, mas os textos não incluem dados suficientes para uma identificação biográfica mais ampla.

Salomé é nomeada por Marcos 15 entre as mulheres presentes na crucificação e novamente em Marcos 16 entre as que compraram aromas para ungir o corpo de Jesus. Mateus 27, em vez de usar o nome Salomé, menciona “a mãe dos filhos de Zebedeu”. Por isso, existe uma leitura tradicional que identifica Salomé como mãe de Tiago e João, os filhos de Zebedeu. Essa equivalência é plausível para muitos intérpretes, mas Mateus não escreve o nome Salomé, e Marcos não chama Salomé de mãe dos filhos de Zebedeu. Portanto, a identificação é interpretativa, não uma declaração explícita dos dois textos.

MulherPassagens principaisO que o texto registraPonto de cautela
Maria MadalenaLucas 8; Mateus 27–28; Marcos 15–16; Lucas 24; João 19–20Foi curada, acompanhou Jesus e testemunhou crucificação, sepultamento e ressurreição.Os Evangelhos não a identificam como prostituta nem como irmã de Marta e Lázaro.
JoanaLucas 8; Lucas 24Esposa de Cuza; ajudava com bens e anunciou a notícia do túmulo vazio.Só Lucas a nomeia.
SusanaLucas 8Servia Jesus e os discípulos com seus recursos.Não recebe outras menções canônicas.
Maria, mãe de Tiago e JoséMateus 27–28; Marcos 15–16Viu a morte, o sepultamento e participou da ida ao túmulo.Há várias Marias nos Evangelhos, o que exige cuidado nas identificações.
SaloméMarcos 15–16Esteve na crucificação e foi ao túmulo com aromas.Sua identificação com a mãe dos filhos de Zebedeu é tradicional, mas debatida.

As mulheres na cruz, no sepultamento e no túmulo

Os relatos da paixão tornam essas seguidoras particularmente visíveis. Em Marcos 15, Maria Madalena, Maria mãe de Tiago, o menor, e de José, e Salomé observam a crucificação. O mesmo capítulo diz que essas mulheres haviam seguido Jesus desde a Galileia e o servido, além de mencionar outras que tinham subido com ele a Jerusalém.

Mateus 27 também fala de “muitas mulheres” que observavam de longe e que tinham acompanhado Jesus desde a Galileia para o servir. Entre elas, o texto nomeia Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e José, e a mãe dos filhos de Zebedeu. A expressão “muitas mulheres” é relevante: ela impede que a lista de nomes seja tratada como um cadastro completo de todas as seguidoras.

No sepultamento, Maria Madalena e “a outra Maria” são mencionadas em Mateus 27; Marcos 15 cita Maria Madalena e Maria mãe de José. Em Lucas 23, as mulheres que tinham vindo da Galileia seguem José de Arimateia, veem o túmulo e observam como o corpo é colocado. Depois preparam aromas e bálsamos, retornando após o sábado. Essas passagens mostram que elas foram testemunhas da morte e da localização do sepulcro, elementos que dão contexto à visita posterior.

Na manhã após o sábado, as listas divergem em detalhes. Mateus 28 cita Maria Madalena e a outra Maria. Marcos 16 cita Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e Salomé. Lucas 24 inicialmente fala de mulheres sem nome e depois menciona Maria Madalena, Joana, Maria mãe de Tiago e as demais que estavam com elas. João 20 concentra a narrativa inicialmente em Maria Madalena. As diferenças não permitem simplesmente somar todos os nomes como se cada autor estivesse fornecendo uma lista total; cada Evangelho seleciona e organiza o material segundo sua própria narrativa.

Maria Madalena: o que é Bíblia e o que é tradição posterior

Maria Madalena ocupa lugar central entre as mulheres que seguiram Jesus, mas sua figura foi frequentemente misturada a outras personagens. O dado bíblico é relativamente claro: ela é chamada de Madalena, provavelmente em referência a Magdala; Lucas 8 relata sua libertação de sete demônios; e os quatro Evangelhos a situam nos acontecimentos da morte e da ressurreição de Jesus.

O texto bíblico não afirma que Maria Madalena era prostituta. Essa associação se tornou popular no cristianismo ocidental a partir de interpretações e identificações posteriores, que fundiram Maria Madalena com a mulher pecadora sem nome de Lucas 7 e, em alguns casos, com Maria de Betânia, presente em João 11–12. Os próprios Evangelhos, porém, distinguem os nomes e não fazem essa identificação diretamente.

Também não há, no Novo Testamento, uma descrição de Maria Madalena como esposa de Jesus ou como líder exclusiva dos apóstolos. Escritos cristãos posteriores e textos não canônicos apresentam retratos variados dela, mas essas fontes pertencem a outros contextos, épocas e gêneros literários. Elas podem ser relevantes para o estudo da recepção histórica da personagem, mas não devem ser apresentadas como se fossem informação dos Evangelhos canônicos.

Outras mulheres relacionadas ao ministério de Jesus

Além das seguidoras que aparecem nas listas de Lucas, Marcos e Mateus, os Evangelhos apresentam outras mulheres que se relacionam diretamente com Jesus. Nem todas são descritas como participantes de um grupo itinerante, e é importante preservar essa diferença.

  • Maria, mãe de Jesus: aparece em episódios como as bodas de Caná, em João 2, e junto à cruz, em João 19. Atos 1 também a inclui entre os que aguardavam em Jerusalém após a ascensão. Os Evangelhos não a inserem nas listas de mulheres que serviam ao grupo viajante em Lucas 8.
  • Marta e Maria de Betânia: aparecem em Lucas 10 e João 11–12. Maria é retratada ouvindo Jesus e, em João 12, ungindo seus pés. Esses textos mostram proximidade e hospitalidade, mas não afirmam que elas percorriam a Galileia e a Judeia com ele.
  • A mulher samaritana: em João 4, conversa com Jesus e anuncia aos habitantes de sua cidade o que ouvira. O texto não a apresenta como integrante do grupo de discípulos itinerantes.
  • A mulher que sofria de hemorragia: é curada em Mateus 9, Marcos 5 e Lucas 8. Ela não recebe nome, nem é incluída entre as mulheres que acompanhavam Jesus.
  • A mulher siro-fenícia ou cananeia: em Marcos 7 e Mateus 15, pede cura para a filha. A narrativa registra seu encontro com Jesus, não uma adesão posterior ao grupo.

Essa distinção evita dois erros opostos: excluir mulheres importantes das narrativas evangélicas ou chamar de “discípula itinerante” toda mulher que encontrou Jesus. O alcance do termo “discípula” pode variar nas interpretações atuais. Os Evangelhos usam linguagem explícita de seguimento e serviço para algumas mulheres; para outras, registram encontros marcantes sem explicar se passaram a acompanhá-lo em viagens.

As diferenças entre as listas e como interpretá-las

As variações entre os Evangelhos são um dado do texto, não algo que deva ser escondido. Mateus, Marcos, Lucas e João não apresentam uma relação idêntica de mulheres na cruz e no túmulo. Há concordância forte sobre a presença de Maria Madalena, mas os demais nomes e a quantidade de mulheres mencionadas variam.

Uma interpretação tradicional procura harmonizar todos os relatos: haveria um grupo maior de mulheres, e cada evangelista teria citado algumas delas. Essa leitura explica por que Mateus fala em “muitas mulheres”, Marcos acrescenta “muitas outras” e Lucas menciona “as demais”. Ela é possível, mas não elimina todas as dúvidas de identificação, especialmente quando aparecem expressões como “a outra Maria” ou “Maria de Clopas”.

Outra leitura, comum nos estudos literários dos Evangelhos, destaca que cada autor seleciona testemunhas e organiza a cena de acordo com seus objetivos narrativos. Nessa abordagem, não se exige que os relatos funcionem como listas administrativas exaustivas. A divergência está no peso dado a cada explicação: a primeira enfatiza a compatibilidade histórica entre listas parciais; a segunda enfatiza a liberdade redacional de cada evangelista. Ambas reconhecem que havia mais mulheres do que os nomes preservados em uma única passagem.

João 19 merece atenção especial. O texto fala da mãe de Jesus, da irmã de sua mãe, de Maria mulher de Clopas e de Maria Madalena. A pontuação antiga não resolvia de modo definitivo se “a irmã de sua mãe” e “Maria mulher de Clopas” são duas pessoas ou uma só. Por isso, alguns entendem que João menciona quatro mulheres junto à cruz; outros, três. A informação é disputada, e não há base textual suficiente para transformar uma solução em certeza.

Por que essas mulheres são relevantes no relato bíblico

A presença dessas mulheres não é um detalhe periférico. Lucas 8 mostra que o ministério público de Jesus recebia apoio de mulheres com recursos próprios. Marcos 15 e Mateus 27 as apresentam como seguidoras vindas da Galileia. Os relatos do sepultamento e do túmulo lhes atribuem papel de testemunhas de eventos que estruturam a narrativa da paixão e da ressurreição.

Em Lucas 24, as mulheres anunciam aos apóstolos o que encontraram no túmulo, mas suas palavras inicialmente parecem “como delírio” aos homens. O texto registra tanto o testemunho delas quanto a reação de incredulidade dos apóstolos. Em João 20, Maria Madalena recebe a ordem de ir aos “irmãos” de Jesus e transmitir uma mensagem. Essas cenas são frequentemente discutidas em debates sobre liderança feminina na igreja, mas os Evangelhos não oferecem uma formulação única e direta para resolver todos os modelos institucionais posteriores.

O ponto verificável é que as mulheres são retratadas como participantes ativas: elas acompanham, servem, observam, preparam aromas, vão ao túmulo e comunicam o que viram. As interpretações posteriores sobre títulos, ministérios e funções eclesiásticas variam entre tradições cristãs e devem ser distinguidas do que cada passagem efetivamente afirma.

Perguntas frequentes

Quantas mulheres seguiram Jesus?

A Bíblia não informa um número total. Lucas 8 nomeia três mulheres — Maria Madalena, Joana e Susana — e acrescenta “muitas outras”. Mateus 27 e Marcos 15 também falam de muitas mulheres. Portanto, qualquer número fechado seria especulativo.

Maria Madalena era uma das doze apóstolos?

Não. Os Evangelhos apresentam os Doze como um grupo específico de homens nomeados por Jesus, por exemplo em Marcos 3 e Lucas 6. Maria Madalena foi uma seguidora destacada e testemunha da ressurreição, mas o Novo Testamento não a inclui na lista dos Doze.

Joana, esposa de Cuza, tinha ligação com Herodes Antipas?

Lucas 8 diz que Cuza era procurador, administrador ou oficial de Herodes, conforme a tradução. O texto não informa qual Herodes, mas, no contexto do ministério de Jesus na Galileia, muitos intérpretes entendem ser Herodes Antipas. Ainda assim, Lucas não detalha a função de Cuza nem explica como Joana passou a seguir Jesus.

Maria de Betânia é a mesma pessoa que Maria Madalena?

Os Evangelhos não dizem que são a mesma pessoa. Maria de Betânia é apresentada como irmã de Marta e Lázaro em João 11–12, enquanto Maria Madalena é identificada por seu vínculo com Magdala em Lucas 8 e nas narrativas da paixão. A fusão entre as duas pertence a tradições interpretativas posteriores.

Resumo

  • Os Evangelhos registram que mulheres acompanharam e serviram Jesus durante seu ministério.
  • Lucas 8 nomeia Maria Madalena, Joana e Susana, além de mencionar muitas outras mulheres.
  • Maria Madalena, Maria mãe de Tiago, Salomé e outras aparecem nos relatos da crucificação, do sepultamento e do túmulo vazio.
  • As listas diferem entre Mateus 27–28, Marcos 15–16, Lucas 23–24 e João 19–20; elas não fornecem um cadastro único e completo.
  • A ideia de que Maria Madalena era prostituta, esposa de Jesus ou idêntica a Maria de Betânia não é afirmada pelos textos bíblicos.
  • O dado central é claro: as mulheres tiveram presença ativa e relevante nas narrativas evangélicas sobre o ministério, a morte e a ressurreição de Jesus.

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