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Quantos dias durou o dilúvio? A cronologia bíblica explicada

Quantos dias durou o dilúvio? Entenda os 40 dias de chuva, os 150 dias das águas e a duração total relatada em Gênesis.

Por Stéfano Barcellos, Formado em Direito | | 11 min de leitura
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Quantos dias durou o dilúvio? Segundo a cronologia de Gênesis, a chuva caiu por 40 dias e 40 noites, mas o episódio das águas do dilúvio durou cerca de um ano até que a terra estivesse seca novamente. Os 150 dias mencionados no relato se referem ao período em que as águas prevaleceram sobre a terra.

O que Gênesis afirma sobre a duração do dilúvio

A resposta curta de que o dilúvio durou 40 dias é apenas parcialmente correta. Essa quantidade aparece em Gênesis 7, quando o texto descreve a chuva que caiu sobre a terra: “E houve chuva sobre a terra quarenta dias e quarenta noites” (Gênesis 7). Contudo, a narrativa não termina com o fim da chuva. Ela continua descrevendo a elevação das águas, sua permanência sobre a terra, o recuo gradual e, por fim, a saída de Noé, sua família e os animais da arca.

Por isso, é importante distinguir as etapas registradas pelo próprio texto bíblico. Gênesis informa que:

  • a chuva caiu durante 40 dias e 40 noites;
  • as águas prevaleceram sobre a terra por 150 dias;
  • a arca repousou sobre os montes de Ararate no décimo sétimo dia do sétimo mês;
  • as águas continuaram baixando até que os cumes dos montes fossem vistos no décimo mês;
  • Noé deixou a arca no segundo mês do ano seguinte, quando a terra estava seca.

Assim, quando a pergunta é sobre toda a permanência de Noé na arca durante o desastre e a recuperação da terra, a contagem mais comum chega a aproximadamente 370 dias. Essa é uma reconstrução cronológica baseada nas datas fornecidas em Gênesis 7 e 8, não uma frase apresentada dessa forma em um único versículo.

As datas da narrativa: do início à saída da arca

Gênesis fornece uma sequência de datas que permite acompanhar o relato. O dilúvio começou quando Noé tinha 600 anos, no dia 17 do segundo mês (Gênesis 7). A terra estava seca e Noé recebeu ordem para sair da arca no dia 27 do segundo mês do ano seguinte (Gênesis 8). Pela diferença entre essas datas, o período total é de um ano e dez dias.

Em calendários antigos, a duração exata de um ano dependia do sistema adotado. Muitos intérpretes observam que a sequência interna de Gênesis sugere meses de 30 dias em certos cálculos: cinco meses entre o dia 17 do segundo mês e o dia 17 do sétimo mês equivaleriam aos 150 dias em que as águas prevaleceram. Nessa leitura, o período completo soma 370 dias.

Mas é necessário fazer uma ressalva: Gênesis não declara explicitamente que cada mês daquele ano tinha 30 dias. A equivalência entre cinco meses e 150 dias é usada por muitos estudiosos para entender a cronologia do relato, mas há debate sobre como relacionar essas datas aos calendários históricos do antigo Oriente Próximo.

Etapa do relato Referência Informação registrada Duração ou data
Início do dilúvio Gênesis 7 Rompem-se as fontes do grande abismo e abrem-se as comportas dos céus. 17º dia do 2º mês, no 600º ano de Noé
Período de chuva Gênesis 7 A chuva cai sobre a terra. 40 dias e 40 noites
Predomínio das águas Gênesis 7 As águas prevalecem e cobrem os montes descritos no relato. 150 dias
Arca repousa Gênesis 8 A arca para sobre os montes de Ararate. 17º dia do 7º mês
Cumes visíveis Gênesis 8 Os topos dos montes tornam-se visíveis. 1º dia do 10º mês
Terra seca e saída Gênesis 8 Deus ordena que Noé, sua família e os animais saiam da arca. 27º dia do 2º mês do ano seguinte

Por que aparecem 40 dias, 150 dias e cerca de um ano?

Os números não são concorrentes; eles descrevem momentos diferentes da mesma narrativa. Os 40 dias e 40 noites se referem à chuva. Os 150 dias abrangem a fase em que as águas estavam dominando a terra. Já o período de aproximadamente um ano abrange todo o processo, desde o começo do dilúvio até o momento em que os ocupantes deixam a arca.

Gênesis 8 introduz uma mudança decisiva ao dizer que Deus “se lembrou de Noé” e fez passar um vento sobre a terra, iniciando o abaixamento das águas. A expressão não significa que Deus teria se esquecido literalmente de Noé. No uso bíblico, “lembrar-se” frequentemente introduz uma ação em favor de alguém, como ocorre em outros relatos do Antigo Testamento. No caso de Gênesis 8, a ação seguinte é o recuo das águas.

“As águas prevaleceram excessivamente sobre a terra durante cento e cinquenta dias” (Gênesis 7).

Depois desse período, o texto relata que as águas começaram a baixar. A arca repousou no sétimo mês, mas isso não significa que as pessoas puderam sair imediatamente. Ainda havia água suficiente para impedir uma saída segura, e os montes só se tornaram visíveis no décimo mês (Gênesis 8).

Noé então adotou observações graduais: após 40 dias, abriu a janela da arca e soltou um corvo; depois enviou uma pomba em três ocasiões, com intervalos de sete dias entre os envios da pomba (Gênesis 8). A folha nova de oliveira trazida pela pomba indicava que a vegetação voltava a aparecer. Mesmo assim, Noé só saiu quando recebeu ordem divina, conforme a narrativa.

Como se chega ao cálculo de aproximadamente 370 dias

O cálculo tradicional de 370 dias parte das datas iniciais e finais apresentadas no texto. Gênesis 7 situa o início no dia 17 do segundo mês do ano 600 de Noé. Gênesis 8 informa que a terra estava seca no dia 27 do segundo mês do ano 601 de Noé, e que então foi dada a ordem de saída.

Se o intervalo for contado como um ano mais dez dias, a soma pode variar de acordo com a forma de definir o ano antigo. A leitura que trabalha com meses de 30 dias calcula 12 meses de 30 dias, isto é, 360 dias, mais dez dias: 370 dias. Essa conta é coerente com a relação entre cinco meses e 150 dias presente na própria narrativa.

Outra forma de expressar o dado, sem fixar o tamanho dos meses, é dizer que Noé permaneceu na arca de um ano e dez dias. Essa formulação acompanha mais diretamente as datas de Gênesis e evita atribuir ao texto um calendário detalhado que ele não explica.

Também há uma pequena questão de contagem inclusiva. Em cronologias antigas, o dia inicial e o final podem ser contados de modo diferente do cálculo moderno de intervalos. Por isso, algumas explicações usam “cerca de 370 dias”, enquanto outras preferem “um ano e dez dias”. A informação central não muda: o relato descreve um período muito mais longo que os 40 dias de chuva.

O que o texto bíblico registra e o que é interpretação posterior

Uma leitura cuidadosa precisa separar os dados narrativos de Gênesis das conclusões posteriores tiradas desses dados. O texto bíblico registra as datas, as durações e a sequência de acontecimentos; porém, não esclarece todos os detalhes que leitores modernos podem desejar.

Dados expressos em Gênesis

  • A chuva durou 40 dias e 40 noites (Gênesis 7).
  • As águas prevaleceram durante 150 dias (Gênesis 7).
  • A arca repousou no décimo sétimo dia do sétimo mês (Gênesis 8).
  • Os cumes dos montes foram vistos no primeiro dia do décimo mês (Gênesis 8).
  • A superfície da terra secou no primeiro dia do primeiro mês do ano 601 de Noé, e a terra estava seca no vigésimo sétimo dia do segundo mês (Gênesis 8).

Conclusões interpretativas comuns

  • O total de 370 dias é uma reconstrução feita a partir das datas e da hipótese de meses de 30 dias.
  • A ideia de um dilúvio global, cobrindo todo o planeta, é defendida por parte dos intérpretes, especialmente em leituras mais literais da linguagem de Gênesis 7.
  • A leitura de um grande dilúvio regional é defendida por outros estudiosos, que relacionam a narrativa à linguagem universal comum em textos antigos e às tradições de inundações da Mesopotâmia.

Não há consenso entre intérpretes sobre a extensão geográfica do dilúvio nem sobre sua relação com eventos históricos ou geológicos específicos. O texto de Gênesis apresenta as águas cobrindo “todos os altos montes” sob os céus (Gênesis 7), mas o alcance exato dessa linguagem é justamente um dos pontos debatidos entre leitores religiosos e pesquisadores.

Contexto literário e histórico do relato de Noé

O relato do dilúvio ocupa Gênesis 6 a 9. Ele se encontra na parte inicial do livro, conhecida frequentemente como história primordial, que inclui a criação, a desobediência no jardim, Caim e Abel, genealogias e a dispersão dos povos. Nessa moldura, o dilúvio é apresentado como resposta à violência e à corrupção humana, mas também como narrativa de preservação: Noé, sua família e os seres vivos que entram na arca sobrevivem.

Estudiosos também comparam Gênesis com relatos mesopotâmicos mais antigos que tratam de grandes inundações, como a Epopeia de Gilgamesh e o Atrahasis. Existem paralelos importantes: uma divindade anuncia uma inundação, um personagem recebe instruções para construir uma embarcação, seres vivos são preservados e aves são enviadas para verificar o recuo das águas.

Esses paralelos não resolvem, por si só, a questão de origem ou historicidade do relato bíblico. Há leituras acadêmicas que entendem Gênesis como diálogo literário com tradições do antigo Oriente Próximo. Outras sustentam que semelhanças poderiam refletir memória compartilhada de uma grande inundação. O texto bíblico não comenta esses outros documentos, e não é possível demonstrar apenas por Gênesis qual explicação é correta.

Há ainda uma característica literária relevante. Alguns pesquisadores identificam no relato uma estrutura cuidadosamente organizada, com repetição de datas, números e expressões. A passagem central, “Deus se lembrou de Noé” (Gênesis 8), é muitas vezes vista como ponto de virada da narrativa. Essa observação é uma análise literária posterior, não uma divisão anunciada pelo próprio texto.

As principais leituras sobre a cronologia do dilúvio

Apesar de haver concordância básica sobre os números presentes em Gênesis, há diferenças na maneira de combiná-los e explicá-los. Conhecer essas leituras evita a impressão de que todos usam as mesmas premissas.

Leitura cronológica tradicional

Nessa leitura, as datas devem ser somadas como registro sequencial de um evento histórico. Os 40 dias dizem respeito à chuva; os 150 dias descrevem a supremacia das águas; o total entre entrada e saída da arca é de aproximadamente 370 dias. É a explicação mais difundida em materiais de estudo bíblico que enfatizam a cronologia interna de Gênesis.

Leitura literária e teológica

Essa abordagem reconhece a sequência temporal, mas dá maior atenção à organização narrativa e ao sentido do relato. Os números podem ter função literária além de cronológica. Por exemplo, o número 40 aparece repetidamente na Bíblia em períodos de prova, transição ou preparação, embora cada ocorrência deva ser analisada em seu próprio contexto. Essa leitura não exige concluir que os números sejam meramente simbólicos; apenas afirma que sua função no texto pode ser mais ampla que a contagem de dias.

Leituras divergentes sobre os 150 dias

Há debate sobre a relação precisa entre os 40 dias de chuva e os 150 dias. A interpretação predominante entende os 150 dias como período total de prevalência das águas, incluindo os 40 dias de chuva. Alguns leitores tentam somar 40 e 150 como fases completamente separadas, chegando a 190 dias antes do recuo. Essa soma não é impossível como hipótese de leitura, mas a conexão das datas em Gênesis 7 e 8 favorece, para muitos intérpretes, que os 150 dias sejam o período mais abrangente.

Em qualquer uma dessas abordagens, não se deve reduzir a narrativa a “40 dias de dilúvio” sem explicação. Essa fórmula responde apenas à duração da chuva, não ao conjunto do episódio descrito em Gênesis 7 e 8.

Perguntas frequentes

O dilúvio durou 40 dias ou 150 dias?

Os dois números aparecem em Gênesis, mas apontam para etapas diferentes. A chuva durou 40 dias e 40 noites (Gênesis 7), enquanto as águas prevaleceram sobre a terra por 150 dias (Gênesis 7). O relato completo, até a saída da arca, abrange cerca de um ano e dez dias.

Quanto tempo Noé ficou dentro da arca?

Com base nas datas de Gênesis 7 e 8, Noé entrou na arca no dia 17 do segundo mês do seu ano 600 e saiu no dia 27 do segundo mês do ano 601. Isso equivale a um ano e dez dias; em uma reconstrução de meses de 30 dias, cerca de 370 dias.

Por que Noé enviou um corvo e uma pomba?

Segundo Gênesis 8, Noé enviou as aves para verificar as condições após o abaixamento das águas. O corvo ia e voltava, enquanto a pomba retornou inicialmente sem encontrar pouso. Depois, ela trouxe uma folha nova de oliveira e, no envio posterior, não voltou, indicando que as condições da terra estavam mudando.

A Bíblia diz em que lugar a arca parou?

Gênesis 8 afirma que a arca repousou “sobre os montes de Ararate”. O texto usa a forma plural e não identifica uma montanha específica. A associação com o atual monte Ararate, na região da Turquia, é uma tradição posterior amplamente conhecida, mas não é uma localização detalhada fornecida pelo relato bíblico.

Resumo

  • A chuva do dilúvio caiu durante 40 dias e 40 noites, conforme Gênesis 7.
  • As águas prevaleceram sobre a terra por 150 dias, também em Gênesis 7.
  • Do início do dilúvio até a saída de Noé da arca, a narrativa cobre um ano e dez dias.
  • O total de aproximadamente 370 dias depende da reconstrução que considera meses de 30 dias.
  • Gênesis registra a sequência de datas, mas não explica de modo completo o calendário empregado.
  • A extensão geográfica e a historicidade do dilúvio são temas disputados entre diferentes interpretações, e o texto não resolve todos esses debates modernos.

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