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Quantos reis teve Israel e como funcionaram seus dois reinos?

Quantos reis teve Israel? Entenda a contagem bíblica antes e depois da divisão do reino, com listas, passagens e diferenças de interpretação.

Por Stéfano Barcellos, Formado em Direito | | 10 min de leitura
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Quantos reis teve Israel? Antes da divisão do reino, a Bíblia apresenta três reis sobre o povo unido: Saul, Davi e Salomão. Depois, Israel se dividiu em dois reinos: o Reino do Norte teve 19 reis, enquanto Judá teve 20 reis, conforme a contagem tradicional baseada em 1 Reis, 2 Reis e 2 Crônicas.

A resposta depende do que se chama de Israel

A pergunta parece simples, mas exige uma distinção histórica importante. Em vários textos bíblicos, “Israel” pode indicar todo o povo descendente de Jacó, as doze tribos, o reino unificado sob Saul, Davi e Salomão ou, após a ruptura política, apenas o Reino do Norte. Por isso, números diferentes podem aparecer sem que necessariamente haja contradição.

Se a expressão se refere ao povo israelita antes da divisão, os reis são Saul, Davi e Salomão. Se inclui todo o período monárquico dos dois reinos, a contagem mais difundida chega a 42 governantes distintos: 3 reis do reino unido, 19 reis no Norte e 20 reis em Judá. Essa soma não inclui líderes que governaram simultaneamente como corregentes nem figuras cujo exercício de poder é tratado de maneira excepcional por algumas leituras.

Se “Israel” significa especificamente o Reino do Norte, estabelecido após a morte de Salomão, a resposta é 19 reis. Esse reino teve capital inicialmente em Siquém, depois em Tirza e, por fim, em Samaria. Ele terminou com a conquista assíria, narrada em 2 Reis 17.

O que o texto bíblico registra sobre o início da monarquia

O livro de 1 Samuel apresenta a transição de Israel do período dos juízes para a monarquia. Em 1 Samuel 8, os anciãos pedem a Samuel um rei “como têm todas as nações”. O capítulo também registra uma advertência sobre os poderes e as exigências de um governo monárquico.

Saul, da tribo de Benjamim, é escolhido e ungido por Samuel em 1 Samuel 9–10. Seu reinado é relatado sobretudo em 1 Samuel 10–31. Depois de sua morte, Davi é reconhecido primeiro como rei de Judá, em Hebrom, e posteriormente como rei sobre todas as tribos, conforme 2 Samuel 2 e 2 Samuel 5.

Salomão sucede Davi em um contexto de disputa sucessória descrito em 1 Reis 1–2. Seu reinado é apresentado em 1 Reis 3–11, com destaque para a construção do templo em Jerusalém, narrada em 1 Reis 5–8. Ao final de seu governo, o texto associa tensões internas, trabalho compulsório e impostos à crise que explodiria no reinado seguinte.

“Disse, pois, Jeroboão a todo o povo: ‘Quanto a mim, dez partes; e quanto a Davi, nenhuma parte’.” A fórmula de ruptura aparece no relato de 1 Reis 12, quando as tribos do Norte rejeitam a casa de Davi.

O texto bíblico registra, portanto, três reis em uma monarquia abrangendo Israel como conjunto tribal. Não fornece uma lista alternativa de reis anteriores a Saul que tenham governado todas as tribos. Os juízes, mencionados em Juízes, eram líderes de outro período e não são chamados de reis do Israel unido.

A divisão entre Israel e Judá

Após a morte de Salomão, Roboão, seu filho, vai a Siquém para ser confirmado rei. Segundo 1 Reis 12, representantes das tribos pedem que ele alivie o “jugo pesado” atribuído ao governo de seu pai. Roboão adota o conselho dos jovens e responde de maneira mais dura. Dez tribos, então, fazem de Jeroboão seu rei.

A partir desse ponto, os livros bíblicos usam duas designações políticas distintas:

  • Israel: o Reino do Norte, formado principalmente por dez tribos, sob Jeroboão I e seus sucessores.
  • Judá: o Reino do Sul, ligado à dinastia davídica, governado por Roboão e seus descendentes, com Jerusalém como centro político e cultual.

O relato de 1 Reis 12 também afirma que a tribo de Benjamim permaneceu ligada a Roboão, embora a forma de descrever a composição territorial de Judá varie conforme a passagem e o contexto. Levitas e habitantes de outras tribos também aparecem no território sulista em episódios posteriores, como em 2 Crônicas 11.

Essa divisão explica por que 1 Reis e 2 Reis alternam os reinados: ao apresentar a ascensão de um rei no Norte, o narrador costuma situá-la pelo ano de governo do rei que reinava simultaneamente em Judá, e vice-versa. Isso faz com que uma leitura apressada possa confundir os dois conjuntos de monarcas.

Quantos reis houve em cada reino?

A tabela abaixo reúne a contagem tradicional dos governantes apresentados pelas narrativas históricas bíblicas. Ela considera os reis normalmente enumerados em listas de 1 Reis, 2 Reis e 2 Crônicas, sem transformar as corregências em novos reinados independentes.

Período ou reinoNúmero tradicionalPrimeiro governanteÚltimo governantePassagens principais
Reino unido de Israel3 reisSaulSalomão1 Samuel 9–31; 2 Samuel 5; 1 Reis 1–11
Reino do Norte, chamado Israel19 reisJeroboão IOseias1 Reis 12–22; 2 Reis 1–17
Reino do Sul, chamado Judá20 reisRoboãoZedequias1 Reis 12; 2 Reis 18–25; 2 Crônicas 10–36
Total de governantes distintos42 reisSaulZedequias1 Samuel–2 Reis

O Reino do Norte teve uma sucessão marcada por mudanças de dinastia. Jeroboão I foi sucedido por Nadabe; depois vieram Baasa e Elá. Zinri tomou o poder por curto período, seguido por Onri. A dinastia de Onri incluiu Acabe, Acazias e Jorão. Jeú iniciou outra casa real, da qual vieram Jeoacaz, Jeoás, Jeroboão II e Zacarias. Depois da morte de Zacarias, o reino passou por golpes e assassinatos até Oseias, o último rei, deposto pelos assírios, conforme 2 Reis 17.

Em Judá, a sucessão foi mais estável porque a dinastia davídica permaneceu no trono durante quase todo o período. A lista começa com Roboão e segue com Abias, Asa, Josafá, Jeorão, Acazias, Joás, Amazias, Uzias, Jotão, Acaz, Ezequias, Manassés, Amom, Josias, Jeoacaz, Jeoaquim, Joaquim e Zedequias. Os acontecimentos finais incluem a tomada de Jerusalém pelos babilônios e a destruição do templo, descritas em 2 Reis 25 e 2 Crônicas 36.

Por que algumas listas apresentam números um pouco diferentes?

O número de 19 reis para Israel e 20 para Judá é o mais usual, mas há questões de método que explicam listas diferentes. A primeira é a presença de corregências, quando um príncipe passa a exercer funções reais ao lado do pai antes da morte dele. Os livros bíblicos nem sempre descrevem essas situações com a mesma extensão, e estudiosos discutem como elas afetam a cronologia.

Outra questão é Atalia. Ela governou Judá após a morte de seu filho Acazias, conforme 2 Reis 11 e 2 Crônicas 22–23. Muitas listas populares não a incluem nos “20 reis de Judá”, pois ela é tratada como rainha usurpadora, não como parte da linhagem real davídica. Outras listas a contam como governante efetiva. Se Atalia for incluída, chega-se a 21 governantes em Judá, mas não a 21 reis no sentido estrito, pois o próprio texto a chama de rainha.

Também existe a questão de Tibni, rival de Onri em Israel. Em 1 Reis 16, parte do povo apoia Tibni, enquanto outra parte apoia Onri. Tibni morre e Onri prevalece. Algumas cronologias o citam como pretendente ou rei rival; a contagem tradicional dos 19 reis do Norte, porém, geralmente não o trata como reinado plenamente estabelecido.

Essas diferenças pertencem principalmente à interpretação histórica posterior e ao modo de organizar os dados. O texto bíblico não apresenta um versículo dizendo em forma de total: “Israel teve 19 reis e Judá teve 20”. Os totais resultam da enumeração dos nomes e do tratamento dado a casos como Atalia, Tibni e as corregências.

O fim dos dois reinos segundo 2 Reis

O Reino do Norte caiu primeiro. Em 2 Reis 17, Oseias, último rei de Israel, é submetido pelo rei da Assíria. O relato afirma que Samaria foi tomada e que habitantes do reino foram levados para o exílio. O capítulo associa o desfecho à avaliação teológica feita pelo narrador sobre a infidelidade de Israel à aliança.

Judá permaneceu por mais tempo. Depois das reformas de Ezequias e Josias, o reino enfrentou a expansão babilônica. Joaquim é levado para a Babilônia, e Zedequias, instalado como rei, se rebela. Em 2 Reis 25, Jerusalém é cercada, o templo é queimado e Zedequias é capturado. Esse é o término da monarquia de Judá narrado na sequência dos livros dos Reis.

As datas absolutas desses acontecimentos são reconstruídas a partir de fontes bíblicas, inscrições e cronologias do antigo Oriente Próximo. Entre os estudiosos, há debates sobre anos exatos de alguns reinados e sobre a duração de determinadas corregências. Em linhas gerais, a queda de Samaria costuma ser situada em 722/721 a.C., e a queda final de Jerusalém, em 587/586 a.C. Essas datas são estimativas históricas amplamente usadas, não datas fornecidas diretamente pelos capítulos bíblicos.

Principais leituras tradicionais e seus pontos de divergência

Há concordância ampla de que Saul, Davi e Salomão são os três reis do período unificado e de que a separação entre Israel e Judá ocorre em 1 Reis 12. A divergência aparece quando se pergunta qual total a expressão “reis de Israel” pretende abranger.

  • Leitura estrita do Reino do Norte: entende “Israel” como o Estado setentrional após a divisão e responde 19 reis, de Jeroboão I a Oseias.
  • Leitura do povo unido antes da ruptura: responde 3 reis, isto é, Saul, Davi e Salomão.
  • Leitura de toda a monarquia israelita: soma reino unido, Norte e Sul e chega a 42 reis distintos na contagem tradicional.
  • Leitura que enumera todos os governantes de Judá: pode citar 21 pessoas quando inclui Atalia como soberana, embora ela não seja geralmente inserida na lista dos 20 reis davídicos.

Portanto, não é correto responder apenas um número sem esclarecer o recorte. Dizer que Israel teve 19 reis é correto quando Israel significa o Reino do Norte. Dizer que houve 3 reis antes da divisão também é correto. E dizer que a história da monarquia bíblica reúne 42 reis é uma síntese válida, desde que se explique a contagem adotada.

Perguntas frequentes

Quem foi o primeiro rei de Israel?

Saul é apresentado como o primeiro rei de Israel em 1 Samuel 9–10. Samuel o unge, e o povo o reconhece como rei. Antes dele, o livro de Juízes descreve líderes chamados juízes, não monarcas sobre todas as tribos.

Quem foi o último rei de Israel?

Se a pergunta se refere ao Reino do Norte, o último rei foi Oseias, citado em 2 Reis 17. Se se refere a Judá, o último rei foi Zedequias, cuja captura é narrada em 2 Reis 25. Por isso, a resposta exige identificar qual reino está em foco.

Atalia deve ser contada entre os reis de Judá?

Ela governou Judá por alguns anos, segundo 2 Reis 11. Contudo, é apresentada como rainha e não integra a sequência davídica em muitas listas tradicionais. Assim, pode ser contada entre os governantes de Judá, mas normalmente não entre os 20 reis de Judá.

Israel e Judá eram o mesmo país?

Foram um reino unido sob Saul, Davi e Salomão. Após 1 Reis 12, passaram a ser dois reinos politicamente separados: Israel ao Norte e Judá ao Sul. Ambos compartilhavam origem israelita, mas tiveram dinastias, capitais e trajetórias políticas próprias.

Resumo

  • Antes da divisão, o reino unido teve três reis: Saul, Davi e Salomão.
  • Depois de 1 Reis 12, o Reino do Norte, chamado Israel, teve 19 reis.
  • Judá teve 20 reis na lista tradicional da dinastia davídica, de Roboão a Zedequias.
  • Atalia governou Judá, mas costuma ser contada separadamente como rainha usurpadora.
  • A soma tradicional da monarquia bíblica é de 42 reis distintos, sem contar Atalia como rei nem Tibni como governante consolidado.
  • Os totais são resultado da leitura e organização das listas bíblicas; a Bíblia não apresenta um único versículo com todas essas somas.

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