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Quem foi Elimas na Bíblia e por que Paulo o repreendeu em Chipre?

Quem foi Elimas na Bíblia: conheça o mágico também chamado Barjesus, seu confronto com Paulo em Chipre e as interpretações do relato.

Por Stéfano Barcellos, Formado em Direito | | 10 min de leitura
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Quem foi Elimas na Bíblia? Elimas foi um mágico judeu, também chamado Barjesus, mencionado em Atos 13 como alguém que tentou afastar o procônsul Sérgio Paulo da mensagem anunciada por Paulo e Barnabé em Chipre. O relato bíblico é breve, mas registra um confronto direto entre ele e Paulo.

Elimas aparece em um único episódio do Novo Testamento

Elimas é citado em Atos 13, no contexto da primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé. Depois de serem enviados pela comunidade cristã de Antioquia da Síria, os dois atravessaram o mar até a ilha de Chipre. Ali, anunciaram a palavra de Deus nas sinagogas de Salamina e, posteriormente, viajaram até Pafos, centro administrativo romano da ilha.

É em Pafos que Lucas, autor de Atos, introduz o personagem: “Achando ali certo homem mágico, falso profeta, judeu, chamado Barjesus” (Atos 13). O texto acrescenta que ele estava ligado ao procônsul Sérgio Paulo, descrito como “homem inteligente” ou “homem prudente”, conforme a tradução bíblica utilizada.

Não há outra narrativa bíblica sobre Elimas antes ou depois desse momento. Portanto, informações como sua origem exata, idade, formação, atividades anteriores ou destino posterior não estão registradas na Bíblia. O que se pode afirmar com segurança depende inteiramente do episódio de Atos 13.

Barjesus e Elimas: são a mesma pessoa?

Sim. Atos 13 apresenta dois nomes para o mesmo indivíduo. Primeiro, ele é chamado de Barjesus; alguns versículos depois, o narrador esclarece que também era conhecido como Elimas: “Mas Elimas, o mágico — pois assim se interpreta o seu nome — lhes resistia” (Atos 13).

Barjesus é geralmente entendido como um nome de origem semítica, formado por “bar”, palavra aramaica que significa “filho”, e “Jesus” ou “Josué”, nome comum no ambiente judaico do período. Assim, Barjesus pode significar “filho de Jesus/Josué”. Isso não significa que ele fosse filho de Jesus de Nazaré; o texto não sugere essa associação, e o nome Jesus era usado por outras pessoas na época.

Já Elimas é associado, em muitas explicações, a um termo ligado a “mago” ou “feiticeiro”. Atos 13 faz essa conexão ao dizer que o nome era interpretado dessa forma. Contudo, há debate entre estudiosos sobre a origem linguística precisa do nome. Alguns o vinculam a uma forma árabe ou semítica relacionada ao conhecimento mágico; outros observam que a explicação do autor pode refletir mais sua função narrativa do que uma etimologia detalhada.

O ponto inequívoco é este: o próprio texto identifica Barjesus e Elimas como a mesma pessoa e o caracteriza como mágico e falso profeta. A Bíblia não explica quais práticas específicas ele realizava nem descreve um sistema religioso ao qual estivesse formalmente vinculado.

Elemento Informação em Atos 13 O que o texto não informa
Nome Barjesus, também chamado Elimas Nome familiar completo ou local de nascimento
Identidade Judeu, mágico e falso profeta Em que consistiam suas práticas de magia
Local do encontro Pafos, na ilha de Chipre Há quanto tempo vivia ou atuava na cidade
Relação política Estava com o procônsul Sérgio Paulo Seu cargo oficial ou remuneração na administração romana
Desfecho Ficou temporariamente cego Se posteriormente mudou de posição ou recuperou a visão

O contexto histórico: Pafos, Chipre e o procônsul Sérgio Paulo

O episódio se passa em Pafos, cidade situada na parte ocidental de Chipre. No primeiro século, Chipre estava sob administração romana. Atos 13 chama Sérgio Paulo de procônsul, título usado para o governador de uma província senatorial romana. Esse detalhe é frequentemente destacado porque se ajusta ao status administrativo que Chipre possuía no período romano imperial.

Sérgio Paulo manda chamar Barnabé e Saulo — nome pelo qual Paulo ainda é apresentado no começo do capítulo — porque desejava ouvir a palavra de Deus (Atos 13). Elimas se opõe à iniciativa. Segundo o relato, seu objetivo era desviar o procônsul da fé.

Não é dito que Elimas fosse conselheiro oficial de Sérgio Paulo, embora sua presença junto ao governador indique proximidade suficiente para tentar influenciar a decisão dele. No mundo romano, pessoas que alegavam possuir conhecimento religioso, capacidade de adivinhação ou acesso a poderes especiais podiam circular em ambientes públicos e privados. Essa observação ajuda a compreender o cenário, mas não autoriza concluir além do que Atos declara sobre a posição específica de Elimas.

O confronto entre Paulo e Elimas em Atos 13

A passagem marca também uma mudança narrativa importante: depois de Atos 13, Saulo passa a ser chamado principalmente de Paulo. O texto diz: “Todavia Saulo, também chamado Paulo, cheio do Espírito Santo, fixando nele os olhos...” (Atos 13). Em seguida, Paulo acusa Elimas de agir com engano e maldade e de perverter “os retos caminhos do Senhor”.

“Ó filho do diabo, cheio de todo engano e de toda maldade, inimigo de toda justiça, não cessarás de perverter os retos caminhos do Senhor?” (Atos 13).

Essa fala é severa e está ligada ao ato concreto atribuído a Elimas: tentar impedir que Sérgio Paulo recebesse a mensagem. Paulo então anuncia que a “mão do Senhor” estaria sobre ele e que ficaria cego por algum tempo. Imediatamente, afirma Atos 13, vieram sobre Elimas “névoa e escuridão”, e ele passou a procurar alguém que o guiasse pela mão.

O texto não apresenta a cegueira como condição permanente. A expressão usada é “por algum tempo”, o que aponta para uma consequência temporária. Porém, o livro de Atos não retorna ao personagem. Por isso, não se sabe quanto tempo durou a cegueira, se Elimas se arrependeu, se voltou a enxergar ou o que ocorreu com ele depois.

Qual foi o resultado para Sérgio Paulo?

O relato conclui dizendo que o procônsul, vendo o que havia acontecido, creu e se admirou da doutrina ou do ensino do Senhor (Atos 13). A narrativa relaciona sua resposta tanto ao sinal presenciado quanto ao ensino anunciado por Paulo e Barnabé.

É importante não transformar esse versículo em uma biografia completa de Sérgio Paulo. Atos não informa se ele se tornou membro de uma comunidade cristã local, quanto tempo viveu após o encontro ou quais medidas tomou em sua função pública. Registra somente que ele creu diante do acontecimento e do ensino recebido.

O que significa chamar Elimas de mágico e falso profeta?

As duas designações empregadas em Atos 13 têm peso narrativo. A palavra traduzida como “mágico” é relacionada, no grego, a práticas de magia, encantamento ou alegação de conhecimento especial. Em outras passagens bíblicas, o campo da magia aparece de maneiras variadas: os magos do Egito em Êxodo 7, Simão em Atos 8 e os praticantes que queimam seus livros em Éfeso, em Atos 19.

Entretanto, Elimas não deve ser confundido com esses outros personagens. O texto não diz que ele era Simão, o mágico de Samaria, nem sugere qualquer ligação entre os dois. Ambos recebem uma descrição associada à magia, mas pertencem a episódios distintos, cidades diferentes e situações diferentes.

A expressão “falso profeta” indica que sua atuação era apresentada pelo narrador como enganosa e oposta à mensagem proclamada por Paulo e Barnabé. No contexto imediato, isso se evidencia por sua tentativa de afastar Sérgio Paulo da fé. Atos não preserva discursos de Elimas, suas previsões ou ensinamentos detalhados; portanto, não é possível reconstituir sua doutrina.

Principais interpretações sobre o episódio

As leituras tradicionais do texto concordam nos pontos centrais: Elimas é Barjesus, opõe-se a Paulo e Barnabé, tenta influenciar Sérgio Paulo e sofre cegueira temporária. As divergências aparecem ao explicar o sentido mais amplo da cena.

Leitura histórica e narrativa

Uma leitura histórica entende o episódio como o registro de um conflito real em Pafos entre missionários cristãos e um praticante religioso ligado ao círculo do governador. Nessa perspectiva, Lucas mostra a chegada da mensagem cristã a um representante romano e descreve a oposição de Elimas como parte do avanço da missão para além das sinagogas judaicas.

Leitura simbólica

Outra interpretação vê na cegueira temporária de Elimas uma dimensão simbólica. Como ele tentava afastar outro homem da fé, seria temporariamente privado da visão. Alguns leitores também relacionam o episódio à experiência do próprio Paulo, que ficou sem enxergar por alguns dias após seu encontro no caminho de Damasco, em Atos 9. Essa aproximação é possível como observação literária, mas Atos 13 não declara explicitamente que a cegueira de Elimas repete ou explica a cegueira de Paulo.

Leitura sobre oposição religiosa

Há ainda quem interprete Elimas como representação da oposição enganosa à pregação apostólica. Essa leitura se apoia nas expressões fortes usadas por Paulo e no contraste entre o mágico e o procônsul que deseja ouvir a palavra. O limite dessa interpretação é não reduzir Elimas a um símbolo abstrato: no enredo, ele é apresentado como uma pessoa específica, em um lugar e situação definidos.

O que não se deve concluir sobre Elimas

Por ser um personagem mencionado apenas em poucos versículos, Elimas recebeu muitas especulações ao longo do tempo. Algumas delas ultrapassam os dados disponíveis. Uma leitura cuidadosa de Atos 13 evita afirmações sem base textual.

  • Não se sabe se Elimas era sacerdote, rabino ou funcionário formal do governo romano.
  • Não se sabe se ele tinha seguidores, escola própria ou influência além do círculo de Sérgio Paulo.
  • Não se sabe quais métodos empregava para ser chamado de mágico.
  • Não se sabe se sua cegueira foi curada depois, nem se ele mudou de vida.
  • Não há base bíblica para identificá-lo com Simão, o mágico, de Atos 8.
  • Não há base para afirmar que Barjesus fosse descendente de Jesus de Nazaré apenas por causa de seu nome.

Essas lacunas não diminuem a importância do episódio. Elas apenas delimitam o que pode ser dito com responsabilidade. A intenção principal da narrativa está no encontro em Pafos, na oposição à mensagem anunciada e na reação do procônsul.

Perguntas frequentes

Elimas e Barjesus são a mesma pessoa?

Sim. Atos 13 primeiro o chama de Barjesus e depois informa que ele também era conhecido como Elimas. Os dois nomes se referem ao mágico judeu que se opôs a Paulo e Barnabé em Pafos.

Elimas ficou cego para sempre?

Não é isso que o texto diz. Paulo anuncia que ele ficaria sem ver “por algum tempo”, e Atos 13 relata a cegueira imediata. A Bíblia não informa quando ou como essa condição terminou.

Elimas é o mesmo mágico citado em Atos 8?

Não. O personagem de Atos 8 é Simão, que atuava na Samaria. Elimas, ou Barjesus, aparece em Atos 13, em Pafos, na ilha de Chipre. Não há ligação explícita entre eles.

Por que Paulo chamou Elimas de filho do diabo?

No relato, Paulo usa essa expressão ao condenar a tentativa de Elimas de desviar Sérgio Paulo da fé e de perverter os “retos caminhos do Senhor” (Atos 13). Trata-se de uma acusação inserida no confronto narrado, não de uma explicação sobre a origem familiar de Elimas.

Resumo

  • Elimas, também chamado Barjesus, é um personagem de Atos 13.
  • Ele é descrito como judeu, mágico e falso profeta em Pafos, Chipre.
  • Estava junto do procônsul romano Sérgio Paulo e tentou afastá-lo da mensagem de Paulo e Barnabé.
  • Paulo o repreendeu, e Elimas ficou temporariamente cego, segundo o relato bíblico.
  • Sérgio Paulo creu e se admirou do ensino do Senhor.
  • A Bíblia não informa o passado nem o destino final de Elimas, e várias suposições sobre ele permanecem sem confirmação textual.

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