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Quais são as bem-aventuranças em ordem no Sermão do Monte?

Veja quais são as bem-aventuranças em ordem, segundo Mateus 5, com texto, contexto do Sermão do Monte e diferenças em Lucas 6.

Por Stéfano Barcellos, Formado em Direito | | 9 min de leitura
Quais são as bem-aventuranças em ordem? Lista bíblica
Pergaminho aberto sobre uma mesa de pedra, evocando o ensino do Sermão do Monte.
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Quais são as bem-aventuranças em ordem? Na lista mais conhecida, elas aparecem em Mateus 5, 3-12, no início do Sermão do Monte: pobres em espírito, os que choram, mansos, famintos e sedentos de justiça, misericordiosos, limpos de coração, pacificadores e perseguidos por causa da justiça. O texto de Mateus ainda amplia a última declaração ao mencionar insultos e perseguições por causa de Jesus.

Onde as bem-aventuranças aparecem na Bíblia

As bem-aventuranças são declarações de felicidade, favorecimento ou condição abençoada. A palavra portuguesa traduz o termo grego makarioi, usado no início de cada frase em Mateus 5. Elas não são mandamentos formulados como ordens, nem uma enumeração de etapas que uma pessoa deve cumprir para receber uma recompensa. No texto, são afirmações de que determinados grupos ou pessoas são “bem-aventurados”, seguidas de uma razão ligada ao reino de Deus, ao consolo, à herança ou à recompensa.

A série mais extensa está em Mateus 5, 3-12, logo depois da apresentação dos discípulos e das multidões reunidas em torno de Jesus (Mateus 4). Tradicionalmente, esse conjunto é chamado de Sermão do Monte porque Mateus 5, 1 informa que Jesus subiu ao monte para ensinar. O discurso prossegue até Mateus 7.

Há uma passagem paralela em Lucas 6, 20-23, inserida em um discurso situado “num lugar plano” ou nivelado, conforme as traduções de Lucas 6, 17. Lucas traz quatro bem-aventuranças e, logo depois, quatro advertências iniciadas por “ai de vós” (Lucas 6, 24-26). Portanto, os dois Evangelhos preservam formulações relacionadas, mas não idênticas.

“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus.” (Mateus 5, 3)

É importante distinguir duas questões. O que o texto bíblico registra é a presença de oito declarações principais em Mateus 5, 3-10, seguidas por uma aplicação mais direta aos discípulos em Mateus 5, 11-12. O que é interpretação posterior é a decisão de contar Mateus 5, 11-12 como uma nona bem-aventurança autônoma, algo que aparece em algumas listas e explicações devocionais.

As bem-aventuranças em ordem em Mateus 5

A ordem abaixo segue Mateus 5, 3-12. As redações podem variar ligeiramente entre versões da Bíblia, mas a sequência e o sentido geral permanecem os mesmos.

  1. Os pobres em espírito — “deles é o reino dos céus” (Mateus 5, 3).
  2. Os que choram — “serão consolados” (Mateus 5, 4).
  3. Os mansos — “herdarão a terra” (Mateus 5, 5).
  4. Os que têm fome e sede de justiça — “serão fartos” (Mateus 5, 6).
  5. Os misericordiosos — “alcançarão misericórdia” (Mateus 5, 7).
  6. Os limpos de coração — “verão a Deus” (Mateus 5, 8).
  7. Os pacificadores — “serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5, 9).
  8. Os perseguidos por causa da justiça — “deles é o reino dos céus” (Mateus 5, 10).

Depois dessa lista, Mateus 5, 11-12 se dirige aos ouvintes na segunda pessoa: “Bem-aventurados sois vós quando, por minha causa, vos injuriarem...” A mudança do tom geral — “os pobres”, “os mansos” — para “vós” é uma das razões pelas quais muitos estudiosos tratam esses versículos como explicação ou particularização da oitava bem-aventurança, e não como item separado.

Assim, se a pergunta for sobre a enumeração tradicional, a resposta mais comum é que existem oito bem-aventuranças em Mateus 5, 3-10. Se forem contadas todas as frases que começam com “bem-aventurados” em Mateus 5, 3-12, chega-se a nove formulações. A Bíblia não coloca números na passagem; a contagem é uma organização feita por leitores e comentaristas posteriores.

Tabela: ordem, promessa e referência

Ordem Declaração em Mateus Promessa associada Referência
1 Pobres em espírito Deles é o reino dos céus Mateus 5, 3
2 Os que choram Serão consolados Mateus 5, 4
3 Os mansos Herdarão a terra Mateus 5, 5
4 Fome e sede de justiça Serão fartos Mateus 5, 6
5 Os misericordiosos Alcançarão misericórdia Mateus 5, 7
6 Os limpos de coração Verão a Deus Mateus 5, 8
7 Os pacificadores Serão chamados filhos de Deus Mateus 5, 9
8 Perseguidos por causa da justiça Deles é o reino dos céus Mateus 5, 10
Aplicação final Insultados e perseguidos por causa de Jesus Grande é a recompensa nos céus Mateus 5, 11-12

Por que há listas com oito e com nove bem-aventuranças

A divergência não resulta de versículos ausentes, mas do modo de dividir o texto. Mateus 5, 3-10 possui uma forma cuidadosamente construída: a primeira e a oitava declarações terminam com a mesma promessa, “deles é o reino dos céus”. Entre elas, as promessas estão no futuro: serão consolados, herdarão, serão fartos, alcançarão, verão e serão chamados.

Essa repetição nas extremidades é frequentemente entendida como uma moldura literária. Nessa leitura, Mateus 5, 3-10 forma o núcleo de oito bem-aventuranças, enquanto Mateus 5, 11-12 desenvolve o tema da perseguição, agora aplicado aos próprios discípulos. A referência aos profetas perseguidos antes deles reforça essa ligação (Mateus 5, 12).

Outra leitura considera Mateus 5, 11 uma nona bem-aventurança porque ele volta a usar explicitamente “bem-aventurados”. Essa divisão é defensável como simples contagem de sentenças, mas não é a forma mais difundida quando se fala nas “oito bem-aventuranças”.

Também existe diferença de redação entre traduções. Algumas usam “humildes de espírito” em vez de “pobres em espírito”, “justiça” em vez de “retidão” em determinados contextos, ou “puros de coração” em lugar de “limpos de coração”. Essas escolhas refletem opções de tradução; não mudam a ordem dos versículos de Mateus 5.

O que Lucas 6 traz de semelhante e de diferente

Lucas 6, 20-23 apresenta quatro bem-aventuranças: aos pobres, aos que têm fome, aos que choram e aos que são odiados, expulsos e insultados por causa do Filho do Homem. Em seguida, Lucas registra quatro “ais”: aos ricos, aos saciados, aos que riem e aos que recebem elogios universais (Lucas 6, 24-26).

Uma diferença especialmente conhecida está na primeira formulação. Mateus escreve “pobres em espírito” (Mateus 5, 3); Lucas escreve “pobres” (Lucas 6, 20). Também Mateus fala em fome e sede “de justiça” (Mateus 5, 6), enquanto Lucas menciona os que agora têm fome (Lucas 6, 21). O texto bíblico registra essas formulações distintas, e não explica diretamente em cada versículo como elas devem ser harmonizadas.

Há duas leituras tradicionais principais. Uma entende que Mateus destaca sobretudo a dimensão interior e ética das declarações, enquanto Lucas preserva uma ênfase social e material mais direta, em contraste com ricos e saciados. Outra sustenta que ambos os Evangelhos se referem a realidades materiais e espirituais ao mesmo tempo, mas selecionam e organizam palavras de Jesus de acordo com seus propósitos literários.

Não há consenso completo sobre se Mateus 5 e Lucas 6 transcrevem o mesmo sermão em versões diferentes, dois discursos semelhantes pronunciados em ocasiões distintas ou tradições orais organizadas de maneiras próprias por cada evangelista. Essa é uma discussão histórica e literária; o texto, por si só, não resolve a questão de modo explícito.

Contexto bíblico e ecos do Antigo Testamento

As bem-aventuranças não aparecem isoladas na narrativa. Em Mateus, elas abrem uma seção de ensinamentos sobre justiça, oração, riqueza, julgamentos e prática religiosa (Mateus 5-7). Logo após elas, Jesus chama seus ouvintes de “sal da terra” e “luz do mundo” (Mateus 5, 13-16), o que mostra que as declarações introduzem um conjunto maior de instruções.

Muitas expressões possuem paralelos e ecos no Antigo Testamento. A promessa aos mansos de que herdarão a terra se aproxima de Salmo 37, 11. A linguagem de consolo recorda textos proféticos como Isaías 61, 1-3. A fome e a sede como imagens de busca ou necessidade aparecem em Isaías 55, 1 e em diversos salmos. A referência aos puros ou limpos de coração também dialoga com Salmo 24, 3-4.

Essas conexões ajudam a situar o vocabulário de Mateus no ambiente bíblico judaico. Contudo, deve-se evitar transformar cada frase em uma citação exata de um único texto anterior. Em vários casos, trata-se de linguagem e temas compartilhados, não de uma fórmula copiada literalmente.

“Justiça” em Mateus 5

Em Mateus 5, a palavra “justiça” aparece na quarta e na oitava bem-aventuranças. No desenvolvimento do Evangelho, ela se relaciona a uma vida alinhada à vontade de Deus, como se nota em Mateus 5, 20 e Mateus 6, 1. Alguns intérpretes enfatizam a retidão pessoal; outros incluem a busca pela justiça em sentido comunitário e público. O texto não reduz o termo a apenas uma dessas dimensões.

“Pacificador” não é apenas alguém que evita conflitos

Mateus 5, 9 fala dos “pacificadores”, isto é, dos que promovem a paz. A expressão é mais ativa do que simplesmente não entrar em discussões. Ainda assim, o versículo não fornece uma definição detalhada de métodos, circunstâncias ou aplicações políticas. Leituras posteriores podem desenvolver essas implicações, mas é preciso distinguir esse desenvolvimento da formulação breve registrada por Mateus.

Como ler a sequência sem perder o sentido do texto

As bem-aventuranças são frequentemente usadas como frases independentes, mas sua posição no discurso recomenda lê-las em conjunto. Elas começam e quase terminam com o reino dos céus, passam por imagens de sofrimento, humildade, justiça, misericórdia, pureza e paz, e concluem com perseguição. A sequência cria um retrato amplo de pessoas e situações que o ensino de Jesus declara bem-aventuradas.

Isso não significa que o texto estabeleça uma escada espiritual, na qual alguém só pode ser misericordioso depois de atingir uma etapa anterior. Mateus não diz que cada item seja uma fase cronológica. A interpretação de uma progressão moral é possível e foi proposta em comentários cristãos ao longo dos séculos, mas não é explicitamente afirmada pelo Evangelho.

Também é impreciso ler as bem-aventuranças como promessa de ausência de dor ou dificuldades imediatas. “Os que choram” e “os perseguidos” são precisamente incluídos na lista. As promessas mesclam presente e futuro: o reino “é” dos pobres em espírito e dos perseguidos, enquanto outras declarações usam “serão”. A alternância faz parte da redação de Mateus 5.

Perguntas frequentes

Quantas são as bem-aventuranças?

A contagem tradicional aponta oito, em Mateus 5, 3-10. Mateus 5, 11-12 pode ser apresentado como uma nona formulação por também começar com “bem-aventurados”, mas muitos leitores o entendem como ampliação da oitava, sobre perseguição.

Qual é a primeira bem-aventurança?

A primeira é: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5, 3). Algumas traduções vertem a expressão como “humildes de espírito”.

As bem-aventuranças estão somente em Mateus?

Não. A lista mais longa está em Mateus 5, 3-12, mas Lucas 6, 20-23 apresenta quatro declarações paralelas. Lucas também acrescenta quatro advertências em Lucas 6, 24-26, que não aparecem dessa forma em Mateus 5.

O que significa “bem-aventurado”?

No contexto das passagens, “bem-aventurado” indica alguém declarado feliz, favorecido ou em condição de bênção diante das promessas anunciadas. A palavra não significa necessariamente prosperidade, conforto ou ausência de sofrimento no presente.

Resumo

  • A lista mais conhecida das bem-aventuranças está em Mateus 5, 3-12, no Sermão do Monte.
  • A ordem tradicional reúne oito declarações principais, de Mateus 5, 3 a Mateus 5, 10.
  • Mateus 5, 11-12 amplia o tema da perseguição e, por isso, algumas listas falam em nove formulações.
  • Lucas 6, 20-23 traz quatro bem-aventuranças semelhantes, porém com redação e contexto próprios.
  • As diferenças entre Mateus e Lucas são registradas nos textos e recebem interpretações variadas; não há consenso total sobre todos os detalhes de sua relação.
  • As bem-aventuranças usam linguagem ligada ao Antigo Testamento e abrem o ensino mais amplo de Mateus 5-7.

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