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Quais são os reis de Judá em ordem, de Roboão a Zedequias

Quais são os reis de Judá em ordem? Veja a lista dos monarcas, suas datas aproximadas, passagens bíblicas e debates sobre a cronologia.

Por Stéfano Barcellos, Formado em Direito | | 11 min de leitura
Quais são os reis de Judá em ordem? Lista bíblica completa
Representação editorial de registros reais e ruínas antigas associadas ao reino de Judá.
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Quais são os reis de Judá em ordem? Segundo a sequência mais comum dos livros de 1 Reis, 2 Reis e 2 Crônicas, eles vão de Roboão, filho de Salomão, até Zedequias, o último rei antes da destruição de Jerusalém pela Babilônia. A ordem básica é clara no texto bíblico, embora as datas e algumas formas de contar os reinados sejam debatidas.

O que era o reino de Judá?

O reino de Judá surgiu após a divisão da monarquia unificada que havia sido governada por Saul, Davi e Salomão. De acordo com 1 Reis 12, quando Roboão assumiu o trono, as tribos do norte recusaram sua liderança e fizeram de Jeroboão seu rei. Formaram-se, então, dois reinos: Israel, ao norte, geralmente associado a dez tribos, e Judá, ao sul, ligado principalmente às tribos de Judá e Benjamim.

Jerusalém permaneceu como capital de Judá, e a dinastia de Davi continuou a governar ali. Essa continuidade é um traço central do relato bíblico: todos os reis de Judá descendem da casa de Davi, com exceção da breve tomada de poder por Atalia, apresentada em 2 Reis 11. Mesmo nesse episódio, a linhagem davídica é restaurada com a coroação de Joás.

O texto bíblico narra os reinados em paralelo aos reis do norte, sobretudo em 1 Reis 12–22 e 2 Reis 1–25. Já 2 Crônicas 10–36 dedica maior atenção a Judá, ao templo de Jerusalém e às reformas religiosas atribuídas a alguns monarcas. Por isso, as duas obras têm sobreposições, mas também ênfases distintas.

A lista dos reis de Judá em ordem

A sequência abaixo segue a sucessão apresentada no texto bíblico. Atalia é incluída por ter exercido o poder real em Jerusalém, embora 2 Reis 11 a apresente como uma usurpadora, e não como integrante legítima da sucessão davídica.

  1. Roboão
  2. Abias, também chamado Abião
  3. Asa
  4. Josafá
  5. Jeorão, também chamado Jorão
  6. Acazias
  7. Atalia
  8. Joás, também chamado Jeoás
  9. Amazias
  10. Uzias, também chamado Azarias
  11. Jotão
  12. Acaz
  13. Ezequias
  14. Manassés
  15. Amom
  16. Josias
  17. Jeoacaz, também chamado Salum
  18. Jeoaquim, também chamado Eliaquim
  19. Joaquim, também chamado Jeconias ou Conias
  20. Zedequias, também chamado Matanias

Essa é a lista de vinte governantes, se Atalia for contada. Sem ela, são dezenove reis homens da linhagem davídica. Vale observar que a Bíblia utiliza variantes de nomes, algo frequente em textos do antigo Oriente Próximo. Em alguns casos, o rei recebeu outro nome quando foi submetido por uma potência estrangeira, como ocorreu com Eliaquim, renomeado Jeoaquim pelo faraó Neco em 2 Reis 23.

Tabela cronológica: reis, passagens e datas aproximadas

As datas a seguir são aproximadas e representam uma cronologia amplamente usada em estudos bíblicos modernos. Elas não são informadas de maneira direta pela Bíblia. Resultam da comparação entre os anos de reinado registrados em Reis e Crônicas e dados externos, como inscrições assírias e babilônicas. Há diferenças de alguns anos entre propostas acadêmicas, especialmente por causa de corregências e dos sistemas antigos de contagem do primeiro ano de governo.

Governante Período aproximado Passagens principais Observação textual
Roboãoc. 930–913 a.C.1 Reis 12; 2 Crônicas 10–12Primeiro rei de Judá após a divisão.
Abias/Abiãoc. 913–911 a.C.1 Reis 15; 2 Crônicas 13Seu reinado é breve; os relatos têm ênfases diferentes.
Asac. 911–870 a.C.1 Reis 15; 2 Crônicas 14–16Associado a reformas e a conflitos com Baasa.
Josafác. 870–848 a.C.1 Reis 22; 2 Crônicas 17–20Fez aliança com Acabe, rei de Israel.
Jeorãoc. 848–841 a.C.2 Reis 8; 2 Crônicas 21Casado com Atalia, filha da casa de Acabe.
Acaziasc. 841 a.C.2 Reis 8–9; 2 Crônicas 22Morto durante a revolta de Jeú.
Ataliac. 841–835 a.C.2 Reis 11; 2 Crônicas 22–23Governa após tentar eliminar a descendência real.
Joás/Jeoásc. 835–796 a.C.2 Reis 11–12; 2 Crônicas 23–24Coroado ainda criança e ligado à reparação do templo.
Amaziasc. 796–767 a.C.2 Reis 14; 2 Crônicas 25Enfrenta Edom e entra em guerra contra Israel.
Uzias/Azariasc. 792–740 a.C.2 Reis 15; 2 Crônicas 26Pode ter reinado em corregência com Amazias.
Jotãoc. 750–732 a.C.2 Reis 15; 2 Crônicas 27Também é associado a uma possível corregência.
Acazc. 732–716 a.C.2 Reis 16; 2 Crônicas 28Vassalo da Assíria durante a crise siro-efraimita.
Ezequiasc. 716–687 a.C.2 Reis 18–20; 2 Crônicas 29–32Reina no período da queda de Samaria, em 2 Reis 17–18.
Manassésc. 697–643 a.C.2 Reis 21; 2 Crônicas 33Crônicas relata seu arrependimento; Reis não o menciona.
Amomc. 643–641 a.C.2 Reis 21; 2 Crônicas 33Assassinado por seus próprios servos.
Josiasc. 641–609 a.C.2 Reis 22–23; 2 Crônicas 34–35Associado à descoberta do Livro da Lei e a reformas.
Jeoacaz/Salum609 a.C.2 Reis 23; 2 Crônicas 36Reinou três meses antes de ser levado ao Egito.
Jeoaquim/Eliaquim609–598 a.C.2 Reis 23–24; 2 Crônicas 36Renomeado pelo faraó Neco.
Joaquim/Jeconias598–597 a.C.2 Reis 24; 2 Crônicas 36Levado para a Babilônia na deportação de 597 a.C.
Zedequias/Matanias597–586 a.C.2 Reis 24–25; 2 Crônicas 36Último rei antes da queda de Jerusalém.

Como os livros bíblicos apresentam essa sucessão

O relato de 1 e 2 Reis

Os livros de Reis estruturam a história de Judá em comparação constante com o reino do norte. Para cada governante, é comum encontrar uma fórmula com a idade de ascensão ao trono, a duração do governo, o nome da mãe e uma avaliação religiosa. A avaliação costuma usar Davi como referência: certos reis “fizeram o que era reto”, enquanto outros são julgados por práticas consideradas infiéis à aliança.

Essa avaliação não funciona como uma biografia moderna nem como uma lista administrativa neutra. Ela expressa a perspectiva teológica do autor ou compilador, que relaciona a história política à fidelidade ao Deus de Israel e ao culto em Jerusalém. O próprio livro conecta a conquista babilônica às infidelidades acumuladas de Judá, com destaque para Manassés em 2 Reis 21 e 24.

O relato de 2 Crônicas

2 Crônicas começa a narrativa do reino dividido com Roboão, em 2 Crônicas 10, e termina com o exílio e o decreto de Ciro, em 2 Crônicas 36. Seu interesse por Judá é ainda mais concentrado: Israel do norte aparece principalmente quando se relaciona com Jerusalém ou com os reis davídicos.

Crônicas amplia episódios ligados ao templo, aos levitas e às reformas. Por exemplo, apresenta mais detalhes sobre Asa, Josafá, Ezequias e Josias. Também traz uma informação não encontrada no relato paralelo de Reis: após ser capturado pelos assírios, Manassés teria se humilhado e retornado a Jerusalém, conforme 2 Crônicas 33. Isso não contradiz diretamente 2 Reis 21, mas mostra uma seleção narrativa diferente.

“Sucedeu que, no ano nono do seu reinado, no décimo mês, aos dez do mês, Nabucodonosor, rei da Babilônia, veio com todo o seu exército contra Jerusalém.” (2 Reis 25)

Esse trecho introduz o cerco final que encerra a monarquia de Judá. O capítulo descreve a captura de Zedequias, a destruição da cidade e do templo e a deportação de parte da população.

Nomes alternativos e casos que causam confusão

Quem procura os reis de Judá em ordem pode encontrar listas aparentemente diferentes, mas muitas vezes elas se referem aos mesmos personagens com nomes alternativos. As formas variam entre os livros bíblicos, traduções e tradições de transliteração do hebraico.

  • Abias e Abião: são formas usadas para o filho de Roboão. Compare 1 Reis 15 com 2 Crônicas 13.
  • Jeorão e Jorão: o nome pode aparecer abreviado. Há ainda um Jorão que foi rei de Israel, filho de Acabe, o que exige atenção ao contexto de 2 Reis 8–9.
  • Joás e Jeoás: são formas do rei de Judá coroado em 2 Reis 11. Também houve um Jeoás no reino de Israel, citado em 2 Reis 13–14.
  • Uzias e Azarias: designam o mesmo rei de Judá em 2 Reis 15 e 2 Crônicas 26.
  • Jeoacaz e Salum: 2 Reis 23 identifica Salum como o nome anterior de Jeoacaz.
  • Jeoaquim e Eliaquim: o faraó Neco mudou o nome de Eliaquim para Jeoaquim, em 2 Reis 23.
  • Joaquim, Jeconias e Conias: correspondem ao rei que sucede Jeoaquim. Jeconias aparece, por exemplo, em 1 Crônicas 3 e Jeremias 24; Conias aparece em Jeremias 22.
  • Zedequias e Matanias: Nabucodonosor mudou o nome de Matanias para Zedequias, segundo 2 Reis 24.

Também é importante não confundir reis de Judá e reis de Israel que possuem nomes idênticos ou parecidos. Acazias, Jeorão/Jorão, Joás/Jeoás e Jeoacaz são exemplos de nomes usados nas duas monarquias. A indicação do reino e da filiação no texto é o meio mais seguro de identificá-los.

Atalia foi rainha de Judá?

O texto bíblico registra que Atalia exerceu o governo em Jerusalém por seis anos, como se vê em 2 Reis 11 e 2 Crônicas 22–23. Ela era mãe de Acazias e, após a morte dele, procurou eliminar os membros da família real. Joás, porém, foi escondido no templo e coroado no sétimo ano; Atalia foi então morta.

A interpretação posterior diverge sobre como classificá-la. Muitas listas a chamam de “rainha de Judá” porque ela governou de fato. Outras a excluem da lista de reis legítimos por considerá-la usurpadora e por não pertencer à linhagem davídica. Ambas as formas podem ser explicadas a partir dos relatos: a primeira enfatiza o exercício histórico do poder; a segunda acompanha o juízo narrativo de Reis e Crônicas e a continuidade da dinastia de Davi.

Portanto, não há uma única convenção universal para a contagem final. A lista pode ter vinte governantes, incluindo Atalia, ou dezenove reis dinásticos, excluindo-a. O que não é disputado no texto é sua posição cronológica: ela aparece entre Acazias e Joás.

Datas, corregências e limites da cronologia

A Bíblia fornece numerosos números de anos de reinado, idades e sincronismos entre reis de Judá e Israel. Contudo, ela não apresenta uma tabela cronológica moderna com anos a.C. A fixação das datas depende de reconstruções históricas. Por isso, expressões como “cerca de 930 a.C.” ou “586 a.C.” refletem trabalho comparativo posterior, não uma data escrita dessa forma no texto bíblico.

Uma dificuldade importante são as corregências, isto é, períodos em que um herdeiro pode ter compartilhado autoridade com o pai antes de governar sozinho. Muitos estudiosos veem essa possibilidade, em graus variados, nos casos de Uzias, Jotão e Ezequias. Outra questão é que Judá e Israel podem ter usado métodos diferentes para contar o primeiro ano de um rei. Essas diferenças ajudam a explicar por que simples somas dos anos de reinado nem sempre produzem um resultado direto.

Há amplo acordo histórico de que Jerusalém foi destruída pelos babilônios no início do século VI a.C., com a data de 586 a.C. muito utilizada. Algumas reconstruções discutem 587 a.C. para certos eventos ligados à queda final. Assim, a ordem dos reis é muito mais consensual que a precisão absoluta de todas as datas de início e fim de governo.

O fim dos reis de Judá e a queda de Jerusalém

Depois da morte de Josias, Judá atravessou rápida instabilidade política. Jeoacaz reinou apenas três meses e foi deposto pelo Egito, conforme 2 Reis 23. Jeoaquim passou da influência egípcia à submissão babilônica. Seu filho Joaquim reinou somente três meses antes de ser levado para a Babilônia, junto com integrantes da elite de Jerusalém, em 2 Reis 24.

Nabucodonosor colocou Matanias, tio de Joaquim, no trono e lhe deu o nome de Zedequias. Segundo 2 Reis 24–25, Zedequias se rebelou contra a Babilônia, levando ao cerco de Jerusalém. A cidade foi tomada, o templo incendiado e seus utensílios removidos. Zedequias foi capturado, viu a morte de seus filhos, foi cegado e levado para a Babilônia.

O relato não apresenta um rei davídico reinando novamente em Judá após Zedequias. Gedalias é nomeado governador sobre a população que permaneceu na terra, em 2 Reis 25, mas ele não é chamado de rei. 2 Crônicas 36 encerra o período com o exílio e menciona o decreto persa de Ciro, que permitiu o retorno e a reconstrução do templo. A monarquia, porém, não é restaurada na narrativa como era antes da conquista.

Perguntas frequentes

Quantos reis Judá teve ao todo?

Judá teve dezenove reis homens da linha de Davi, de Roboão a Zedequias. Se Atalia for incluída como governante por ter exercido o poder durante seis anos, o total chega a vinte. A diferença depende do critério usado para reconhecer ou não sua legitimidade dinástica.

Qual foi o primeiro rei de Judá?

Roboão foi o primeiro rei de Judá depois da divisão do reino, narrada em 1 Reis 12 e 2 Crônicas 10. Ele era filho de Salomão e neto de Davi. O texto afirma que Jerusalém continuou sob seu domínio.

Quem foi o último rei de Judá?

Zedequias foi o último rei de Judá antes da destruição de Jerusalém pelos babilônios, descrita em 2 Reis 25 e 2 Crônicas 36. Ele reinou como vassalo de Nabucodonosor até sua rebelião e a queda da cidade.

Por que alguns reis de Judá têm dois nomes?

As variações podem decorrer de formas alternativas do mesmo nome hebraico, de abreviações usadas em livros diferentes ou de mudanças oficiais de nome promovidas por governantes estrangeiros. Eliaquim, por exemplo, passou a se chamar Jeoaquim por ordem do faraó Neco, segundo 2 Reis 23.

Resumo

  • A sucessão de Judá começa com Roboão, após a divisão do reino em 1 Reis 12, e termina com Zedequias em 2 Reis 25.
  • A lista mais usada contém vinte governantes quando Atalia é incluída; sem ela, são dezenove reis da dinastia de Davi.
  • Nomes como Abias/Abião, Uzias/Azarias e Joaquim/Jeconias podem indicar a mesma pessoa.
  • 1 e 2 Reis e 2 Crônicas registram a sequência, mas oferecem perspectivas narrativas e teológicas próprias.
  • As datas em anos a.C. são reconstruções históricas aproximadas; a ordem dos governantes é mais segura do que cada data exata.
  • A monarquia de Judá terminou com a conquista babilônica de Jerusalém e o exílio, no reinado de Zedequias.

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