Quais são os dez mandamentos em ordem segundo a Bíblia?
Veja quais são os dez mandamentos em ordem, onde aparecem em Êxodo e Deuteronômio e por que tradições os agrupam de formas distintas.
Quais são os dez mandamentos em ordem? A lista mais conhecida está em Êxodo 20 e é repetida, com pequenas diferenças de formulação, em Deuteronômio 5. A numeração, porém, varia entre tradições judaicas e cristãs, embora os textos bíblicos de base sejam os mesmos.
Onde a Bíblia apresenta os Dez Mandamentos?
Os Dez Mandamentos são tradicionalmente chamados de Decálogo, termo formado a partir de palavras gregas que significam “dez palavras”. A própria Bíblia usa uma expressão equivalente: Deuteronômio 4 afirma que Deus declarou ao povo a sua aliança, “os dez mandamentos”, escritos em duas tábuas de pedra; a expressão também aparece em Deuteronômio 10 e Êxodo 34.
O texto mais conhecido está em Êxodo 20, logo após a chegada dos israelitas ao monte Sinai, no contexto da saída do Egito. A segunda formulação completa está em Deuteronômio 5, em um discurso atribuído a Moisés nas planícies de Moabe, antes da entrada na terra de Canaã. Entre um relato e outro, há diferenças de palavras e de ênfase, especialmente no mandamento sobre o sábado.
Em Êxodo 20, a fala começa com uma apresentação histórica:
“Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.” (Êxodo 20)
Essa introdução situa os mandamentos dentro de uma aliança. O texto bíblico não os apresenta como máximas soltas ou como uma simples lista universal sem contexto. Eles são dirigidos a Israel, povo que, segundo a narrativa, foi libertado do Egito e reunido no Sinai.
Quais são os Dez Mandamentos em ordem?
Na numeração mais difundida em edições protestantes da Bíblia e em muitos materiais de estudo, os mandamentos em Êxodo 20 aparecem na seguinte ordem. As frases abaixo resumem o conteúdo do texto, sem substituir a leitura integral dos capítulos.
- Não ter outros deuses diante do Senhor (Êxodo 20; Deuteronômio 5).
- Não fazer imagens para culto nem adorá-las (Êxodo 20; Deuteronômio 5).
- Não tomar o nome do Senhor em vão (Êxodo 20; Deuteronômio 5).
- Lembrar ou guardar o sábado e santificá-lo (Êxodo 20; Deuteronômio 5).
- Honrar pai e mãe (Êxodo 20; Deuteronômio 5).
- Não matar (Êxodo 20; Deuteronômio 5).
- Não adulterar (Êxodo 20; Deuteronômio 5).
- Não furtar (Êxodo 20; Deuteronômio 5).
- Não dar falso testemunho contra o próximo (Êxodo 20; Deuteronômio 5).
- Não cobiçar (Êxodo 20; Deuteronômio 5).
Essa é uma forma prática de responder à pergunta, mas requer uma ressalva importante: o texto de Êxodo 20 não traz algarismos dizendo “primeiro”, “segundo” e assim por diante. Ele oferece uma sequência de instruções. A divisão exata em dez itens é uma organização interpretativa antiga, e diferentes comunidades fazem essa divisão de modo diferente.
O que o texto bíblico registra e o que é numeração posterior?
É necessário distinguir o conteúdo das passagens da forma como ele foi enumerado posteriormente. O texto bíblico registra as proibições, as ordens, suas justificativas e a informação de que são “dez palavras” ou “dez mandamentos”. O texto não fornece, em Êxodo 20 ou Deuteronômio 5, uma numeração interna que resolva cada ponto de divisão.
Por exemplo, Êxodo 20 começa proibindo outros deuses e, em seguida, imagens esculpidas usadas em culto. Algumas tradições consideram essas duas instruções como o primeiro e o segundo mandamentos. Outras as entendem como partes de um único mandamento contra a idolatria. Para manter o total de dez, essas últimas tradições dividem a proibição da cobiça em duas partes.
Também há uma diferença entre a formulação de Êxodo e a de Deuteronômio. Em Êxodo 20, o sábado é ligado à criação: Deus descansou no sétimo dia. Em Deuteronômio 5, a razão apresentada enfatiza a experiência de escravidão no Egito e o descanso de servos, estrangeiros e animais. As duas passagens preservam a ordem de observar o sábado, mas destacam fundamentos distintos.
Como as principais tradições dividem os mandamentos?
As diferenças não surgem porque uma tradição inclua frases que a outra desconheça. Elas decorrem da maneira de agrupar trechos do mesmo texto. A tabela abaixo compara três sistemas de numeração amplamente conhecidos.
| Tradição de numeração | 1º mandamento | Imagens de culto | 10º mandamento | Passagens-base |
|---|---|---|---|---|
| Judaica tradicional | A declaração: “Eu sou o Senhor, teu Deus”, que tirou Israel do Egito | Incluídas na proibição seguinte, ligada a outros deuses | Não cobiçar a casa, a mulher e os bens do próximo | Êxodo 20; Deuteronômio 5 |
| Reformada e muitas protestantes | Não ter outros deuses | Contadas como segundo mandamento | Não cobiçar, em uma proibição abrangente | Êxodo 20; Deuteronômio 5 |
| Católica e luterana | Não ter outros deuses, incluindo a proibição de imagens para adoração | Incluídas no primeiro mandamento | Dividido entre cobiçar a mulher do próximo e cobiçar seus bens | Êxodo 20; Deuteronômio 5 |
Na tradição judaica, a abertura de Êxodo 20 — a identificação do Deus que libertou Israel do Egito — é normalmente contada como a primeira “palavra”. Na tradição reformada, muito usada por igrejas presbiterianas, reformadas e por várias comunidades evangélicas, a proibição de outros deuses é separada da proibição de fabricar e venerar imagens.
Já a tradição católica e a luterana costuma seguir uma divisão associada a Agostinho de Hipona, escritor cristão dos séculos IV e V. Nela, outros deuses e imagens cultuais formam uma única unidade, enquanto a cobiça é separada em desejo pela mulher do próximo e desejo pelos seus bens. Há nuances internas nos modos de explicar cada sistema, mas a divergência central é essa.
Portanto, não é correto afirmar que uma lista tenha “nove” ou “onze” mandamentos por causa de uma dessas divisões. Todas procuram organizar em dez as instruções de Êxodo 20 e Deuteronômio 5; elas divergem nos limites entre alguns itens.
Êxodo 20 e Deuteronômio 5 dizem exatamente a mesma coisa?
Não exatamente. Os dois textos têm estrutura muito próxima e trazem o mesmo conjunto central de ordens, mas apresentam variações relevantes. Isso é visível, sobretudo, na instrução sobre o sábado e na lista final de itens que não devem ser cobiçados.
O mandamento do sábado
Êxodo 20 emprega a ideia de “lembrar” o dia de sábado e associa sua santificação à criação, mencionando os seis dias de trabalho e o descanso no sétimo. Deuteronômio 5 usa o verbo “guardar” e acrescenta uma motivação social e histórica: os israelitas deveriam recordar que foram escravos no Egito. O descanso deveria alcançar filhos, servos, estrangeiros e animais.
A ordem dos objetos de cobiça
Em Êxodo 20, a esposa do próximo é mencionada dentro de uma lista que inclui a casa e outros bens. Em Deuteronômio 5, a formulação distribui os verbos de maneira diferente e menciona primeiro a mulher do próximo, depois a casa, o campo e os demais bens. As traduções em português podem variar na escolha de termos, mas a distinção textual está presente nas duas passagens hebraicas.
O contexto literário de cada passagem
Êxodo 20 integra a narrativa da revelação no Sinai. Deuteronômio 5 faz parte de uma recapitulação da lei diante de uma nova geração, após a peregrinação no deserto. O próprio livro de Deuteronômio apresenta Moisés relembrando acontecimentos e instruções para o povo. Assim, as diferenças de redação estão inseridas em contextos literários distintos, ainda que ambos sejam fundamentais para a tradição do Decálogo.
As tábuas da lei e o restante da legislação bíblica
Segundo Êxodo 31, as tábuas foram dadas a Moisés e escritas “pelo dedo de Deus”, expressão que integra a linguagem narrativa do texto. Êxodo 32 relata que Moisés quebrou as primeiras tábuas depois de encontrar o povo envolvido com o bezerro de ouro. Em Êxodo 34, novas tábuas são preparadas no processo de renovação da aliança.
Deuteronômio 10 afirma que as tábuas foram colocadas na arca. Mais tarde, 1 Reis 8 declara que, na arca instalada no templo de Salomão, não havia nada além das duas tábuas que Moisés depositara ali. Esses textos fazem parte da narrativa bíblica; eles não fornecem uma descrição física detalhada, como tamanho, idioma visível ou distribuição dos mandamentos entre as duas tábuas.
A ideia popular de que uma tábua continha deveres para com Deus e a outra continha deveres para com o próximo é uma interpretação tradicional e pedagógica. Ela se relaciona ao conteúdo dos mandamentos e à síntese de Jesus sobre amar a Deus e ao próximo, em Mateus 22. Porém, a Bíblia não informa de forma explícita como os itens estavam repartidos entre as duas tábuas.
Também não se deve confundir o Decálogo com toda a legislação do Pentateuco. Depois de Êxodo 20, o livro apresenta diversas normas civis, cultuais e sociais. Levítico, Números e Deuteronômio também contêm leis e instruções. Os Dez Mandamentos ocupam lugar central na memória religiosa de Israel, mas não esgotam a legislação bíblica.
Como entender expressões que aparecem nas traduções?
Algumas formulações tradicionais podem parecer simples, mas envolvem escolhas de tradução. O sexto mandamento é um exemplo. Muitas Bíblias em português trazem “não matar”; outras usam “não assassinar”. A diferença ocorre porque o verbo hebraico empregado costuma ser associado, em estudos linguísticos, ao homicídio ilícito, e não a toda forma possível de morte. Ainda assim, o debate sobre o alcance jurídico e ético do termo pertence à interpretação; o texto breve não desenvolve todos os casos possíveis.
O terceiro mandamento é frequentemente traduzido como “não tomar o nome do Senhor teu Deus em vão”. A expressão não se limita necessariamente ao uso de palavras ofensivas. Intérpretes a relacionam a juramentos falsos, uso indevido da autoridade divina ou emprego vazio do nome de Deus. Essas são leituras tradicionais e acadêmicas possíveis; o versículo, por si só, não apresenta uma lista fechada de aplicações.
No segundo mandamento, a proibição menciona imagens esculpidas e sua adoração ou serviço. A discussão posterior sobre arte religiosa, símbolos e objetos de culto é ampla e varia entre tradições. O dado textual seguro é que Êxodo 20 e Deuteronômio 5 condenam fabricar imagens para se prostrar diante delas ou servi-las como deuses. As aplicações a práticas posteriores são matéria de interpretação.
Perguntas frequentes
Os Dez Mandamentos aparecem somente em Êxodo 20?
Não. A lista completa reaparece em Deuteronômio 5. Além disso, Êxodo 34, Deuteronômio 4 e Deuteronômio 10 mencionam as “dez palavras” ou os “dez mandamentos” em conexão com as tábuas da aliança.
Por que algumas listas parecem diferentes?
Porque as tradições agrupam de formas distintas as proibições de outros deuses, imagens e cobiça. O texto-base é Êxodo 20 e Deuteronômio 5, mas a numeração não está marcada com números nos capítulos bíblicos.
Qual é o primeiro mandamento?
Depende da tradição usada. Na numeração judaica tradicional, a declaração de que Deus tirou Israel do Egito é o primeiro. Em muitas tradições cristãs, o primeiro é não ter outros deuses; algumas incluem nesse mesmo item a proibição de imagens para adoração.
Jesus citou os Dez Mandamentos?
Os Evangelhos mostram Jesus citando vários mandamentos, por exemplo em Mateus 19, ao mencionar não matar, não adulterar, não furtar, não dar falso testemunho e honrar pai e mãe. Em Mateus 22, ele resume a lei no amor a Deus e ao próximo, citando Deuteronômio 6 e Levítico 19.
Resumo
- Os Dez Mandamentos são apresentados principalmente em Êxodo 20 e Deuteronômio 5.
- A lista mais comum começa com não ter outros deuses e termina com não cobiçar.
- O texto bíblico afirma que são dez mandamentos, mas não numera internamente cada divisão.
- As tradições judaica, reformada, católica e luterana organizam alguns trechos de modo diferente.
- Êxodo 20 e Deuteronômio 5 têm o mesmo núcleo, com diferenças de formulação e ênfase.
- A distribuição dos mandamentos entre duas tábuas não é descrita explicitamente pela Bíblia.