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Quais mulheres aparecem na genealogia de Jesus e por que Mateus as cita?

Quais são as mulheres na genealogia de Jesus? Conheça Tamar, Raabe, Rute, Bate-Seba e Maria, segundo Mateus 1.

Por Stéfano Barcellos, Formado em Direito | | 10 min de leitura
Quais são as mulheres na genealogia de Jesus? Veja as cinco
Pergaminho antigo aberto com uma árvore genealógica escrita à mão em luz natural.
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Quais são as mulheres na genealogia de Jesus? Em Mateus 1, são citadas Tamar, Raabe, Rute, “a mulher de Urias” e Maria. Essa lista é incomum em genealogias antigas e liga a origem de Jesus a episódios importantes da história de Israel.

Onde a genealogia menciona essas mulheres?

A principal lista de mulheres associada à genealogia de Jesus está em Mateus 1. O evangelista inicia com Abraão e conduz a linhagem até José, apresentado como marido de Maria, da qual Jesus nasceu. Ao longo de uma sucessão majoritariamente formada por homens, Mateus introduz quatro mulheres do Antigo Testamento e, ao final, Maria.

O texto registra os nomes de Tamar, Raabe e Rute. No caso de Bate-Seba, Mateus não emprega seu nome: escreve que Davi gerou Salomão “da mulher de Urias” (Mateus 1). A formulação chama atenção para a ligação anterior dela com Urias, o heteu, e para o relato de 2 Samuel 11–12. Por fim, Mateus afirma que José era marido de Maria, “da qual nasceu Jesus, que se chama Cristo” (Mateus 1).

A genealogia de Lucas é diferente. Em Lucas 3, a lista vai de Jesus até Adão e não inclui nomes de mulheres. Ela também apresenta uma sequência de antepassados que, em parte, não coincide com a de Mateus entre Davi e José. Portanto, quando se pergunta pelas mulheres na genealogia de Jesus, a resposta normalmente se refere à construção literária de Mateus 1.

Mulher citada ou indicadaReferência em Mateus 1Relato principal no Antigo TestamentoLigação na linhagem
TamarMateus 1Gênesis 38Mãe de Perez, ancestral de Davi
RaabeMateus 1Josué 2; Josué 6Mãe de Boaz, segundo Mateus
RuteMateus 1Rute 1–4Mãe de Obede, avó de Jessé
“Mulher de Urias”Mateus 12 Samuel 11–12Mãe de Salomão
MariaMateus 1Mateus 1–2; Lucas 1–2Mãe de Jesus

O que o texto bíblico afirma sobre Tamar?

Tamar aparece em Gênesis 38. Ela era nora de Judá, filho de Jacó. Depois da morte de Er, seu primeiro marido, e de Onã, seu segundo marido, Tamar permaneceu sem filhos. Judá prometeu entregar seu filho mais novo, Selá, quando ele crescesse, mas não cumpriu a promessa.

O capítulo narra que Tamar se disfarçou, encontrou-se com Judá e ficou grávida. Quando a situação veio a público, Judá declarou: “Ela é mais justa do que eu”, reconhecendo que não lhe tinha dado Selá por marido (Gênesis 38). Tamar deu à luz os gêmeos Perez e Zerá. A genealogia de Mateus segue especificamente por Perez: “Judá gerou Perez e Zerá, de Tamar” (Mateus 1).

O texto bíblico não apresenta Tamar como uma figura sem ambiguidades morais nem reduz sua história a um rótulo. O foco de Gênesis 38 está também na falha de Judá e na preservação de sua descendência. Perez reaparece em listas posteriores, como em Rute 4, e é incluído na linhagem davídica.

Como as interpretações posteriores leem Tamar?

Uma leitura tradicional enfatiza que Tamar buscou o direito de ter descendência dentro da família de Judá, diante da omissão do patriarca. Outra leitura destaca o caráter excepcional e problemático do recurso usado, sem ignorar a avaliação favorável de Judá no próprio relato. As interpretações divergem sobre como qualificar a ação de Tamar, mas o texto de Gênesis registra claramente a responsabilidade de Judá e a posição de Perez na linhagem.

Quem foi Raabe e qual é sua relação com a genealogia?

Raabe é apresentada em Josué 2 como moradora de Jericó que acolheu e escondeu os espias enviados por Israel. Em troca, recebeu a promessa de proteção para si e sua família quando a cidade fosse tomada. Josué 6 relata que ela e os seus foram preservados e passaram a viver no meio de Israel.

Mateus 1 diz que Salmom gerou Boaz de Raabe. Essa informação cria uma ponte entre a mulher de Jericó e a família de Belém, da qual viria Davi. Contudo, é preciso distinguir as fontes: o livro de Josué não informa que Raabe se casou com Salmom nem que foi mãe de Boaz. Essa relação familiar é afirmada pela genealogia de Mateus e aparece também em tradições genealógicas posteriores, mas não é narrada em detalhes no Antigo Testamento.

Há ainda uma discussão de identificação. Alguns leitores antigos e modernos associam a Raabe de Josué à “Raabe” mencionada em Hebreus 11 e Tiago 2, pois esses textos recordam a acolhida aos espias. Essa identificação é amplamente aceita porque o contexto coincide. Já a tentativa de harmonizar todos os intervalos cronológicos entre Josué, Boaz e Davi encontra dificuldades, pois as genealogias bíblicas podem ser seletivas e nem sempre pretendem listar cada geração.

“Salmom gerou Boaz, de Raabe; Boaz gerou Obede, de Rute; Obede gerou Jessé.” (Mateus 1)

Por que Rute tem destaque na linhagem de Davi e Jesus?

Rute é a protagonista do livro que leva seu nome. Ela era moabita e ficou viúva após ter se casado com um dos filhos de Noemi, uma israelita. Em vez de retornar definitivamente ao seu povo, Rute acompanhou Noemi a Belém. O livro descreve sua decisão em Rute 1, seu trabalho nos campos de Boaz em Rute 2 e os procedimentos familiares e legais que levaram ao casamento em Rute 3–4.

Ao fim do livro, Rute e Boaz têm um filho chamado Obede. Obede é pai de Jessé, e Jessé é pai de Davi (Rute 4). Mateus 1 mantém essa sequência e, por isso, Rute ocupa um lugar direto na genealogia messiânica apresentada pelo evangelho.

O texto de Rute chama explicitamente sua origem moabita. Isso é relevante porque os moabitas aparecem em conflitos e restrições legais em outros trechos, como Deuteronômio 23. Ainda assim, o livro não discute Rute como uma exceção teórica a essas normas; ele narra uma história familiar situada no período dos juízes. Leitores posteriores frequentemente enxergam em sua presença uma abertura da linhagem de Davi a uma estrangeira. Essa é uma interpretação plausível a partir do enredo, mas o dado textual mais direto é que Rute, a moabita, tornou-se mãe de Obede e bisavó de Davi.

Por que Mateus diz “a mulher de Urias” em vez de Bate-Seba?

Em 2 Samuel 11, Bate-Seba é apresentada como esposa de Urias, o heteu. Davi a viu, mandou buscá-la e ela engravidou. Depois de tentar encobrir a gravidez, Davi ordenou que Urias fosse colocado em uma posição de extremo risco na batalha, onde morreu. Após o luto, Bate-Seba tornou-se mulher de Davi.

O filho nascido inicialmente morreu, conforme o relato de 2 Samuel 12. Mais tarde, Bate-Seba deu à luz Salomão, e é por meio de Salomão que Mateus constrói a linha real até José. A genealogia, porém, escreve: “Davi gerou Salomão daquela que tinha sido mulher de Urias” (Mateus 1, conforme traduções em português). A expressão preserva a memória de Urias e impede que o episódio seja tratado apenas como uma união comum da casa real.

Também é necessário evitar uma inferência que o texto não sustenta. Mateus 1 não explica por que escolhe essa expressão em vez do nome Bate-Seba. Uma interpretação muito difundida entende que o evangelista relembra o pecado de Davi e a injustiça contra Urias. Outra entende que a fórmula apenas identifica com precisão a mãe de Salomão dentro de uma genealogia. As duas leituras reconhecem o mesmo dado textual; divergem quanto à ênfase literária pretendida por Mateus.

Qual é o lugar de Maria no relato de Mateus?

Maria encerra a sequência de mulheres em Mateus 1, mas sua apresentação é diferente das anteriores. O evangelista altera a fórmula repetida de geração. Em vez de dizer que José gerou Jesus, afirma que José era “marido de Maria, da qual nasceu Jesus” (Mateus 1). No texto grego, o pronome relativo está no feminino singular, referindo-se a Maria. Assim, a formulação atribui o nascimento de Jesus a Maria, sem declarar José como seu pai biológico.

Nos versículos seguintes, Mateus narra que Maria estava prometida em casamento a José e ficou grávida “antes de coabitarem”; o evangelista atribui a concepção ao Espírito Santo (Mateus 1). Lucas também traz uma narrativa de anúncio e nascimento relacionada a Maria, em Lucas 1–2, embora com cenas e ênfases próprias.

Para a genealogia, José continua essencial no argumento de Mateus porque pertence à linhagem de Davi. O anjo o chama de “José, filho de Davi” em Mateus 1. O evangelho registra que José recebeu Maria como esposa e deu ao menino o nome de Jesus. Interpretações cristãs posteriores desenvolveram explicações diversas sobre como a descendência davídica de José se relaciona juridicamente à identidade de Jesus. Mateus não oferece, nesse capítulo, uma teoria completa de filiação legal; ele apresenta José como descendente de Davi e Maria como aquela de quem Jesus nasceu.

Qual é a importância literária dessas cinco mulheres?

A presença dessas mulheres torna a genealogia de Mateus mais do que uma simples lista de nomes. Tamar, Raabe, Rute e Bate-Seba estão ligadas a histórias de viuvez, vulnerabilidade, deslocamento étnico, decisões familiares complexas, poder real e conflitos. Maria, por sua vez, aparece no desfecho em circunstâncias extraordinárias segundo a narrativa de Mateus.

Uma interpretação recorrente afirma que as cinco mulheres demonstram que a história que desemboca em Jesus inclui pessoas de origens variadas e situações socialmente inesperadas. Outra interpretação destaca que quatro delas são associadas, de maneiras diferentes, a uniões ou nascimentos fora do padrão comum, preparando literariamente a menção ao nascimento de Jesus de Maria. Há ainda quem ressalte especialmente a possível condição estrangeira de Tamar, Raabe e Rute.

Essas leituras não são idênticas. A primeira privilegia a diversidade da história familiar; a segunda, os paralelos narrativos em torno de nascimento e casamento; a terceira, a relação entre Israel e povos vizinhos. Mateus não explica expressamente o motivo da seleção, portanto nenhuma dessas propostas deve ser apresentada como uma declaração literal do evangelista. O que o texto efetivamente registra é a inclusão deliberada desses nomes ou referências em uma genealogia que, de outro modo, poderia omiti-los.

Perguntas frequentes

São quatro ou cinco mulheres na genealogia de Jesus?

São cinco se Maria for contada: Tamar, Raabe, Rute, Bate-Seba — indicada como “a mulher de Urias” — e Maria. Antes de Maria, Mateus menciona ou indica quatro mulheres do Antigo Testamento.

Lucas também cita essas mulheres?

Não. A genealogia de Lucas 3 segue de Jesus até Adão e apresenta somente nomes masculinos. Além disso, sua sequência entre Davi e José difere em vários pontos da encontrada em Mateus 1.

Bate-Seba é realmente uma mulher da genealogia, embora não seja nomeada?

Sim. Mateus 1 identifica Salomão como filho de Davi com “a mulher de Urias”. Em 2 Samuel 11–12, essa mulher é Bate-Seba, esposa de Urias e depois mãe de Salomão.

Raabe, mãe de Boaz, é certamente a mesma Raabe de Jericó?

Mateus 1 a chama de Raabe e a tradição majoritária a identifica com a mulher de Jericó em Josué 2. No entanto, Josué não fornece seu casamento, o nome de Salmom ou o nascimento de Boaz; esses detalhes não estão naquele livro.

Resumo

  • Mateus 1 menciona Tamar, Raabe, Rute, a mulher de Urias e Maria na genealogia de Jesus.
  • Tamar é mãe de Perez; Raabe é apresentada por Mateus como mãe de Boaz; Rute é mãe de Obede.
  • Bate-Seba é identificada indiretamente pela expressão “a mulher de Urias” e é mãe de Salomão.
  • Maria é apresentada como mãe de Jesus, enquanto José aparece como descendente de Davi e marido de Maria.
  • O texto registra a inclusão dessas mulheres, mas não explica de modo direto a razão literária dessa seleção.

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