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Quais são os juízes de Israel em ordem segundo o livro de Juízes?

Veja quais são os juízes de Israel em ordem, suas passagens, períodos de atuação e as diferenças entre a lista bíblica e tradições posteriores.

Por Stéfano Barcellos, Formado em Direito | | 11 min de leitura
Quais são os juízes de Israel em ordem? Lista bíblica
Representação editorial de um rolo antigo aberto sobre uma mesa de madeira, remetendo ao período dos juízes de Israel.
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Quais são os juízes de Israel em ordem? O livro de Juízes apresenta, em sua sequência narrativa, Otniel, Eúde, Sangar, Débora e Baraque, Gideão, Abimeleque, Tolá, Jair, Jefté, Ibzã, Elom, Abdom e Sansão. Depois dele, 1 Samuel menciona Eli e Samuel como juízes, embora não façam parte da lista do livro de Juízes.

O que eram os juízes de Israel?

Na Bíblia, os juízes eram líderes levantados em momentos de crise no período entre a conquista de Canaã e a formação da monarquia israelita. O termo hebraico associado à função, shofet, pode incluir a ideia de julgar, governar, decidir disputas e, em vários casos, libertar o povo de inimigos militares.

O livro de Juízes descreve um padrão recorrente: os israelitas abandonam o culto ao Senhor, sofrem opressão estrangeira, clamam por socorro, recebem um libertador e vivem um período de paz. Esse esquema aparece claramente em Juízes 2. Porém, nem todo personagem chamado juiz no texto exerce exatamente as mesmas atividades. Alguns são conhecidos por batalhas; outros recebem apenas poucas linhas e parecem ter desempenhado sobretudo liderança local ou administrativa.

“Naqueles dias não havia rei em Israel; cada um fazia o que parecia certo aos seus olhos” (Juízes 21).

Essa frase, repetida em Juízes 17, 18, 19 e 21, expressa a avaliação teológica e literária do livro sobre aquele período. Ela não prova que Israel não tivesse qualquer organização social, mas mostra que o autor considera a época marcada por instabilidade, conflitos internos e afastamento religioso.

É importante distinguir duas coisas. O que o texto bíblico registra é uma sequência de personagens e de períodos de opressão ou descanso. O que é interpretação posterior são as tentativas de calcular uma cronologia contínua, encaixar todos os governos em datas exatas e determinar se cada juiz governou todo Israel ou apenas parte das tribos.

A lista dos juízes de Israel em ordem bíblica

A ordem abaixo acompanha a progressão do livro de Juízes, de Juízes 3 a 16. Abimeleque é incluído porque sua história está situada entre Gideão e Tolá, mas sua classificação como juiz é discutida: ele não é apresentado como libertador levantado por Deus, e seu governo em Siquém tem caráter violento e usurpatório.

Ordem Personagem Passagem principal Dado registrado no texto
1OtnielJuízes 3Libertou Israel de Cusã-Risataim; houve 40 anos de descanso.
2EúdeJuízes 3Libertou Israel dos moabitas; a terra teve 80 anos de descanso.
3SangarJuízes 3; 5Matou 600 filisteus com uma aguilhada de bois.
4Débora e BaraqueJuízes 4–5Débora julgava Israel; Baraque liderou a batalha contra Jabim e Sísera.
5GideãoJuízes 6–8Venceu os midianitas; houve 40 anos de descanso.
6AbimelequeJuízes 8–9Exerceu domínio por três anos em Siquém; sua condição de juiz é debatida.
7ToláJuízes 10Julgou Israel durante 23 anos.
8JairJuízes 10Julgou Israel durante 22 anos; tinha 30 filhos.
9JeftéJuízes 11–12Libertou Israel dos amonitas e julgou por seis anos.
10IbzãJuízes 12Julgou Israel durante sete anos.
11ElomJuízes 12Julgou Israel durante dez anos.
12AbdomJuízes 12Julgou Israel durante oito anos; tinha 40 filhos e 30 netos.
13SansãoJuízes 13–16Julgou Israel por 20 anos no tempo dos filisteus.

Em muitas listas populares, Débora aparece sozinha como quarta juíza, pois Juízes 4 afirma expressamente que ela “julgava Israel”. Baraque, por sua vez, é o comandante convocado por Débora para reunir as tribos e enfrentar Sísera. Por isso, a maneira mais precisa de apresentar o episódio é falar em Débora como juíza e Baraque como líder militar associado à libertação.

Os primeiros libertadores: Otniel, Eúde, Sangar e Débora

Otniel, filho de Quenaz e parente de Calebe, é o primeiro juiz narrado em Juízes 3. Segundo o texto, “o Espírito do Senhor veio sobre ele”, e ele libertou Israel da opressão de Cusã-Risataim, rei da Mesopotâmia. A narrativa encerra-se com a informação de 40 anos de descanso.

Eúde, da tribo de Benjamim, vem em seguida. Juízes 3 relata sua estratégia para matar Eglom, rei de Moabe, e a subsequente mobilização israelita junto ao rio Jordão. O episódio termina com 80 anos de descanso, o maior período informado nas narrativas de libertação do livro.

Sangar recebe uma apresentação muito breve: Juízes 3 afirma que ele matou 600 filisteus com uma aguilhada de bois e também salvou Israel. Juízes 5 volta a mencioná-lo na canção de Débora. Como não há duração de governo nem relato detalhado, qualquer reconstrução biográfica mais ampla sobre Sangar ultrapassa as informações disponíveis.

Débora aparece em Juízes 4 como profetisa e juíza, sentada sob a “palmeira de Débora”, entre Ramá e Betel, na região montanhosa de Efraim. Ela chama Baraque, de Quedes, em Naftali, para liderar o combate contra as forças de Jabim, rei de Hazor, comandadas por Sísera. A vitória ocorre com a participação decisiva de Jael, que mata Sísera. Juízes 4 e 5 registram 40 anos de descanso após o conflito.

Gideão, Abimeleque e a questão do governo

Gideão, também chamado Jerubaal, é um dos personagens mais desenvolvidos do livro, em Juízes 6 a 8. Ele é chamado enquanto malha trigo escondido dos midianitas e reúne um exército que, no relato final, é reduzido a 300 homens. A vitória é atribuída à ação divina, não à superioridade numérica israelita.

Depois da batalha, os israelitas pedem que Gideão e seus descendentes governem sobre eles. Ele recusa a realeza afirmando que o Senhor deveria governar sobre o povo, conforme Juízes 8. Ainda assim, o capítulo também descreve a produção de uma estola sacerdotal de ouro, que se torna objeto de tropeço em Ofra. O texto não suaviza as ambiguidades do personagem.

Abimeleque, filho de Gideão com uma concubina de Siquém, mata seus irmãos — exceto Jotão, que escapa — e é proclamado rei por grupos ligados a Siquém, em Juízes 9. Ele domina por três anos e morre durante o ataque a Tebes. O texto diz que Deus retribuiu a maldade de Abimeleque e dos homens de Siquém.

Abimeleque deve ser contado entre os juízes?

Há duas leituras principais. Uma inclui Abimeleque em uma lista cronológica ampla porque ele ocupa posição entre Gideão e Tolá e “dominou” Israel por três anos. Outra o exclui da lista de juízes propriamente dita porque Juízes 9 o descreve como rei local e usurpador, não como libertador. O texto bíblico não usa uma fórmula simples que resolva definitivamente essa classificação. Por transparência, ele costuma ser listado à parte ou acompanhado dessa ressalva.

Os chamados juízes menores: Tolá, Jair, Ibzã, Elom e Abdom

Os estudiosos frequentemente chamam Tolá, Jair, Ibzã, Elom e Abdom de “juízes menores”. Essa expressão é moderna e não significa que fossem menos importantes para suas comunidades; indica apenas que suas narrativas são curtas quando comparadas às de Gideão, Jefté ou Sansão.

Tolá, da tribo de Issacar, julgou Israel por 23 anos, segundo Juízes 10. Jair, gileadita, julgou por 22 anos e é associado a 30 filhos que cavalgavam 30 jumentos e possuíam 30 cidades em Gileade. Esses detalhes refletem status familiar e influência regional, mas o texto não fornece relatos militares de ambos.

Após Jefté, Juízes 12 menciona Ibzã, de Belém, que julgou por sete anos; Elom, da tribo de Zebulom, por dez; e Abdom, de Piratom, por oito. Sobre Ibzã e Abdom, o livro destaca os muitos casamentos de seus filhos, informação que pode indicar redes familiares e sociais, mas não explica diretamente suas ações como líderes.

Algumas tradições judaicas e cristãs identificaram Ibzã com Boaz, personagem de Rute. Essa identificação, porém, não aparece no texto bíblico e não é consenso entre intérpretes. O livro de Rute não chama Boaz de Ibzã, nem Juízes 12 fornece elementos suficientes para comprovar a equivalência.

Jefté e Sansão: narrativas complexas no final do livro

Jefté é apresentado em Juízes 11 como guerreiro gileadita, inicialmente rejeitado por seus irmãos por ser filho de outra mulher. Quando os amonitas ameaçam a região, os anciãos de Gileade o chamam para liderar a defesa. Antes da guerra, Jefté envia uma mensagem ao rei de Amom e apresenta uma argumentação sobre a história territorial de Israel.

O ponto mais debatido de sua narrativa é o voto registrado em Juízes 11. Jefté promete que, se voltasse vitorioso, ofereceria ao Senhor aquilo que saísse da porta de sua casa para encontrá-lo. Sua filha é a primeira a sair. O texto afirma que Jefté cumpriu o voto, mas não descreve de modo explícito o procedimento final. Por isso, há duas leituras tradicionais: uma entende que houve sacrifício humano; outra sustenta que a filha foi consagrada à virgindade e ao serviço permanente. A primeira leitura parece acompanhar o sentido mais direto do relato; a segunda busca harmonizar o episódio com as proibições bíblicas de sacrifícios humanos. A passagem continua sendo disputada.

Sansão, da tribo de Dã, é o último grande juiz narrado. Juízes 13 apresenta seu nascimento como anunciado por um mensageiro divino e ligado a um voto de nazireado desde o ventre. Seus conflitos com os filisteus ocupam Juízes 14 a 16. Ele julgou Israel por 20 anos, “nos dias dos filisteus”, conforme Juízes 15 e 16.

O relato de Sansão enfatiza sua força extraordinária, suas escolhas pessoais e sua relação com Dalila. Após revelar a origem simbólica de sua força, ele é capturado, cegado e levado a Gaza. No desfecho, derruba as colunas do edifício filisteu e morre junto com muitos inimigos. O texto o chama de juiz, mas não diz que sua morte encerrou o domínio filisteu sobre Israel.

Eli e Samuel entram na lista?

Depois de Sansão, o livro de Juízes não nomeia outro juiz. No entanto, 1 Samuel apresenta Eli e Samuel exercendo essa função. Eli julgou Israel por 40 anos, segundo 1 Samuel 4. Samuel é descrito como alguém que julgou Israel todos os dias de sua vida, percorrendo Betel, Gilgal e Mispa, conforme 1 Samuel 7.

Por esse motivo, há duas formas legítimas de responder à pergunta sobre os juízes. Se a referência for a lista do livro de Juízes, ela termina com Sansão. Se a referência for o período histórico mais amplo dos juízes, Eli e Samuel devem ser acrescentados ao final. Alguns também citam os filhos de Samuel, Joel e Abias, nomeados como juízes em Berseba em 1 Samuel 8, mas o texto enfatiza que eles não seguiram os caminhos do pai.

É possível somar todos os anos e criar uma cronologia exata?

Não com segurança. Somar os números fornecidos em Juízes produz uma duração muito longa, especialmente quando se acrescentam períodos de opressão e os anos de Eli. Muitos estudiosos entendem que alguns juízes podem ter atuado simultaneamente em regiões diferentes, e não um após o outro sobre todo o território. A Bíblia não fornece uma cronologia absoluta com datas modernas para cada juiz.

Perguntas frequentes

Quantos juízes de Israel existem na Bíblia?

Depende do critério. A sequência principal de Juízes traz 12 líderes libertadores, de Otniel a Sansão, se Abimeleque for deixado à parte. Com Abimeleque, a lista chega a 13 nomes ou entradas. Ao incluir Eli e Samuel, mencionados em 1 Samuel, chega-se a uma lista ampliada.

Débora foi a única mulher juíza de Israel?

Débora é a única mulher explicitamente chamada de juíza no livro de Juízes. Jael tem papel decisivo na derrota de Sísera, em Juízes 4, mas não recebe o título de juíza. Não há outra mulher apresentada com essa função nas listas bíblicas do período.

Quem foi o último juiz de Israel?

Sansão é o último juiz do livro de Juízes. Contudo, no conjunto narrativo de 1 Samuel, Samuel é frequentemente considerado o último grande juiz antes da monarquia, pois sua atuação antecede a escolha de Saul como rei em 1 Samuel 9 e 10.

Abimeleque era rei ou juiz?

Juízes 9 o apresenta como rei em Siquém e diz que ele dominou por três anos. Por isso, muitos intérpretes o classificam como um governante usurpador, não como juiz libertador. Ele aparece entre Gideão e Tolá na narrativa, mas sua inclusão em listas de juízes deve ser feita com essa distinção.

Resumo

  • A ordem narrativa principal é: Otniel, Eúde, Sangar, Débora e Baraque, Gideão, Abimeleque, Tolá, Jair, Jefté, Ibzã, Elom, Abdom e Sansão.
  • Débora é explicitamente chamada de juíza; Baraque é o comandante militar associado à sua narrativa.
  • Abimeleque aparece entre os líderes do período, mas sua classificação como juiz é contestada porque Juízes 9 o descreve como rei de Siquém.
  • Os chamados juízes menores recebem relatos breves, sem que isso diminua necessariamente sua relevância regional.
  • Eli e Samuel são chamados de juízes em 1 Samuel e entram em listas ampliadas do período, embora não pertençam ao livro de Juízes.
  • O texto bíblico fornece durações e sequências narrativas, mas não permite estabelecer datas modernas exatas para todos os juízes.

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